sábado, 5 de maio de 2012

ISTO É mostra cachoeira de Serra




Está vindo à tona mais um escândalo que deverá mostrar o motivo de força pelo qual Serra candidatou-se a prefeito de São Paulo nas eleições deste ano. Os fatos que cercam o novo escândalo e que explicam o porquê de Serra decidir-se pela prefeitura estão estampados na revista Isto É desta semana.

No centro da reportagem está a Construtora Delta e as obras comandadas em conjunto pela Prefeitura e o Estado para a ampliação das marginais do Tietê, respectivamente nas gestões de Kassab e Serra.

Na época, este blogueiro trabalhava como técnico do departamento de meio ambiente da estatal Dersa que atuou como empreendedora das obras.  A iniciativa fazia parte de um grupo maior de intervenções desse tipo enfeixadas naquilo que denominaram Programa de Melhoramento do Viário Principal da Cidade de São Paulo.

 A decisão de reformar a marginal não decorreu de estudos prévios gestados por técnicos da empresa e foi tomada de forma intempestiva pelas autoridades estaduais e municipais que para tanto trocaram o presidente da estatal, fazendo substituir ao economista Thomás de Aquino o engenheiro Delson Amador, ligado ao ex-secretário das subprefeituras do Município Andrea Matarazzo.

A obra causou intensa polêmica pelas contribuições duvidosas que traria à melhoria do trânsito da capital, quando considerado o levado custo para sua implantação de cerca de 2 bilhões de reais.

Inobstante os questionamentos de especialistas de dentro e fora da empresa, que não viam possibilidade de eficácia numa obra de alargamento parcial daquela via expressa, sujeita a gargalos e a episódios de alagamento, a iniciativa avançou a toque de caixa sem que viesse a ser desenvolvido o necessário projeto executivo de obras, tal como o exigia a lei de licitações.

Divertiam-se os técnicos ocupados da construção, dizendo que sem plantas nem traçado definitivo para as novas pistas o êxito do empreendimento devia-se exclusivamente à perícia do engenheiro chefe no canteiro em bem comandar os tratoristas da Construtora Delta.

Como não poderia deixar de ser, o orçamento de obras estourou e o custo final do projeto chegou quase ao do valor do Trecho Sul do Rodoanel, ou 4 bilhões de reais. Uma fábula correspondente a quase a metade do que custou todo o rebaixamento da calha do Rio Tietê, que corre ao lado dos 10 Km de pistas instaladas.

Para atenuar a recusa em submeter-se o projeto de obra ao Conselho Estadual do Meio Ambiente, dado a abrangência metropolitana da bacia do Tietê, o município cobrou que compensatoriamente fossem plantadas 80 mil árvores nos bairros adjacentes às marginais.

Para essa tarefa o mesmo braço direito de Serra na Prefeitura, Andrea Matarazzo, deslocou um dos seus homens de confiança. O resultado também aí não foi melhor que o colhido no alargamento do pequeno trecho das marginais.

Em avaliação do final de 2010, quando 80% das mudas plantadas deveriam estar em estágio avançado de desenvolvimento, era registrada mais de 60% de mortalidade dos espécimes. O que não impediu que, antes de concluídos os trabalhos e feitas as devidas reposições de mudas, todos os contratos com as empresas de plantio fossem liquidados de maneira antecipada, no mesmo momento em que Serra abandonava o governo para lançar-se candidato.

Se não bastassem outras, estão aí boas razões para o candidato não desejar a panela da prefeitura destampada.

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Um comentário:

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