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sábado, 8 de outubro de 2011

Mídia ameaça largar tucanos na mão



Aos poucos a imprensa vai perdendo a inibição de investigar casos escabrosos que cercam a direita do espectro político do País e começa a trazer a tona detalhes dignos de nota do escândalo do mensalão paulista. Um caso capaz de deixar marcado no ventre do partido de situação, que reina sob uma aura de probidade faz 20 anos no governo estadual, a marca indelével da corrupção.
Os detalhes do episódio ainda não são sabidos, mas sua emergência se deve ao descontentamento de um deputado da base do governo, Roque Barbieri, que resolveu, imagina-se lá porque, detonar o esquema de compra de lealdades na Assembléia legislativa de São Paulo.
Esquema que, diga-se de passagem, vigorava ainda antes que fosse denunciado nas eleições de 2006 o que se convencionou chamar de mensalão do PT com a finalidade de dar naquele ano a vitória sobre Lula às oposições.
Mas por que só agora a imprensa perde a inibição? A resposta está no rearranjo do quadro partidário em São Paulo e mesmo no país com a obtenção de registro pelo novo partido de centro-direita, o PSD.
Com uma alternativa de poder à mão em 2014 no Estado, seja com Meirelles que vem de filiar-se à agremiação seja com Afif Domingues, vice-governador do Estado, a elite política em São Paulo, por meio de seus mais notórios veículos de comunicação, o jornal O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, prepara um belo chute nos traseiros de Geraldo Alckmin em 2014.
Sabem que caso não se antecipem à deterioração do quadro político no Estado, Lula haverá de fazer o sucessor de Kassab na prefeitura paulistana ou com seu ex-ministro Hadad ou com seu ex-banqueiro central Meirelles.
A senha foi dada há poucos dias pelo jornal Valor Econômico, parceria entre o Grupo Folha e o Grupo Globo, que em editorial furibundo manifestou seu descontentamento com o que considerou imaturidade do partido que até agora vem apoiando, o PSDB.
No fundo, o noticiário político nacional e estadual revela a existência de um terremoto produzido pelo fato do governo Dilma vir se firmando junto à classe média tradicional com seu estilo de governar pautado pelos valores com que classe média também se identifica: sobriedade, firmeza e moralidade.
Por causa disso o telejornalismo da Rede Globo já rearranjou sua bancada de comentaristas nos telejornais, afastando figurinhas mais venais com Sardemberg e Miriam Leitão. Por que não o faria com o partido que lhe faz perder a razão?
Sim, os meios de comunicação ameaçam ir de Dilma, Meirelles e PSD nas próximas eleições. E é isso que explica a crescente exposição midiática do novo mensalão.  

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