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sábado, 10 de setembro de 2011

Por Detrás da Máscara da Probidade


Pretensiosa a oposição que pretende fazer passar movimentos partidários como se apartidários fossem. A vantagem de fazê-lo é clara. Se um movimento desse tipo por ventura se estabelecer, o agrupamento político que a frente dele venha colocar-se estará liderando a mobilização de toda a sociedade. Uma iniciativa que não poderia evidentemente mostrar-se às claras desde que se assim o fizesse todo o plano urdido viria abaixo e a natureza do ardil político restaria exposta.
Na forma como é apresentada a autonomeada “luta contra a corrupção” nada significa que tática política visando uma estratégia de oposição. Parte-se de uma motivação real, a existência em todos os governos do mundo de improbidade, confere-se à necessidade de mobilizar-se contra ela uma razão de cidadania e pressionam-se em seguida os governos a procederem a reformas que nelas ponham cobro.
O que os indispõe com aliados no Congresso, paralisa sua ação administrativa e, em conseqüência das crises advindas, mergulha-os em crises políticas prolongadas, no curso das quais se lhes pespega, até a próxima campanha eleitoral, o estigma de serem complacentes com desvio do dinheiro público.
Para que o ardil possa parecer convincente é preciso que se faça antes um chamamento dos governos à participação na cruzada moral contra a corrupção com o que depois se destaca suas vacilações na condução da limpeza pretendida, justificando-se, assim, a entrega do exercício de poder à oposição. O artifício tem se repetido “ad nauseam” na história das sociedades modernas e seus protagonistas de ponta são sempre aqueles que obtêm seus votos nas classes médias altas, os quais propõem aos demais atores sociais a coparticipação na hipocrisia do drama rodrigueano por eles dirigidos de governos bonitinhos, mas ordinários.
É por aí que deve ser entendida a cordialidade com que próceres oposicionistas, Fernando Henrique Cardoso a frente, vêm cortejando a presidente eleita, destacando sua condição de refém de condições políticas herdadas de um Governo que não foi o seu.
Contam para isso com o apoio barulhento da mídia que louva, nos diferentes veículos sobre os quais detêm controle cruzado, o caráter sincero do chamamento e depois a espontaneidade das manifestações de gente cheirosa que acode as ruas. Em dado momento se espera que engaje seus artistas, as Lombardis e as Reginas Duartes, para que dêem ares de unanimidade ao que chamarão de “gesto definitivo de inconformismo da nação brasileira”.
O que mal se esconde por trás de tudo isso é a fragilidade das oposições, que não possuem bandeiras exceto aquelas de natureza moral que o “status quo” vem utilizando desde os tempos da década de 50 no Brasil em linha com a mais hipócrita sentimentalidade cristã. Como se durante todo o tempo em que fizeram e desfizeram neste País em termos de uso da máquina pública para fins patrimonialista, não fosse essa mesma elite branca e letrada de Higienópolis (o bairro higiênico de São Paulo onde mora o mesmo FHC) a autora da opereta bufa da política brasileira.
Querem dar sentido àquilo que FHC chamou de esquecer dos pobres e ganhar as novas classes médias. Nada diferente do que tentou Carlos Lacerda e seus pares da UDN em outro momento da nossa história, nem tão distante, em que também novos atores sociais passaram a participar da cena política durante um surto mais intenso que o presente de urbanização e de mudança da estrutura de classes sociais na sociedade brasileira.
Não há como deixar de notar o quanto de desfaçatez há no estratagema. Discute-se o Brasil e esquecem-se das instâncias municipais e estaduais do poder em que, governando a oposição e vivendo também o cidadão, famílias de governador encontram-se envolvidas nos mais escandalosos atos de corrupção, como falsificação de documentos para a construção imobiliária e desvios de merenda escolar.
Mas fadado ao engano está aquele que parte do pressuposto da incapacidade de interpretação das novas classes sociais que se desenvolveram a partir da quebra do regime de tirania dos mercados, o qual esses políticos gestores do grande capital com tanto zelo buscaram resguardar. Também desta vez a esperteza haverá de devorar aos espertos.

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