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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Solução de Respeito


É nos detalhes que está a diferença, reza o adágio que mimetiza outro bastante popular entre os chineses que diz não ser possível admirar flores de cima de um cavalo. O detalhe aqui se refere à forma como o governo federal vem conduzindo a negociação com os funcionários da Infraero para levar a cabo a privatização dos aeroportos brasileiros.
Assunto sensível em qualquer lugar, a desestatização do setor aeroportuário revela-se muito mais sensível que processo análogo conduzido nos setores já privatizados por envolver não só uma categoria organizada nacionalmente, a dos aeroviários, mas também o controle detido por militares desde que o primeiro avião decolou de um aeroporto brasileiro.
Fosse aplicada a receita válida para as privatizações do setor elétrico e de energia, nos moldes postos em prática pelo PSDB, haveria total desconsideração aos interesses dos trabalhadores e um trator de pista passearia sobre o que lhes dissesse respeito. Nesse caso seriam inevitáveis as greves e o agravamento do quadro de afunilamento do embarque de passageiros nos terminais aéreos.
Não foi isso que aconteceu. Pelo fato de manter relações políticas e institucionais em caráter regular com os sindicatos, o governo negociou com os aeroviários em sala junto ao gabinete da Presidente da República (como notaram os jornais, a simbologia do lugar foi importante) um acordo que contou com a adesão de toda categoria.
 Pelo trato, os trabalhadores dos aeroportos de Cumbica em Guarulhos, Congonhas em São Paulo e Viracopos em Campinas desistirão de greves contra o processo de privatização em troca de terem estabilidade de emprego até 2014, garantias de não terceirização dos serviços pelas concessionárias que explorarão os aeroportos e representação na gestão dessas empresas.
Poderão, contudo, contestar o processo pela via judiciária e política em todos os aspectos que julgarem relevantes. O contrário do que sucedeu com as privatizações selvagens da era FHC em que se despachava para as diretorias de empresas a serem transferidas ao setor privado agentes políticos para realizarem limpezas prévias, nas quais as lideranças sindicais eram desmoralizadas e a polícia acionada sempre que necessário.
O resultado era que, uma vez nas mãos de empresas privadas, suas cúpulas aprofundavam esse padrão de relacionamento subtraindo mais direitos e quebrando pela força a resitência dos sindicatos. Além do trabalhador, que acabava com salários aviltados, pagava a conta o consumidor na forma da precariedade dos serviços e a sucatização dos ativos, propiciada por representações sindicais pouco vigilantes.
É louvável, pois, a forma como vem sendo encarados os desafios trabalhistas na primeira onda de privatizações do governo de Dilma Russef. Um exemplo a ser seguido por aqueles que se julgam os pais da matéria. Lição que consiste em provar que é possível fazer o que tiver de ser feito em favor da qualidade dos serviços públicos respeitando-se àqueles que o executam, e não apenas pensando na conveniência dos empresários que pagam comissões.

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