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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Operação Sinal Fechado chega a nomes de São Paulo



Para quem não nunca ouviu falar no nome de Luiz Antonio Tavolaro, arrolado na operação Sinal Fechado que apurou fraudes na licitação da inspeção veicular no Rio grande do Norte, deve ser informado de que o dito advogado foi diretor jurídico da DERSA nas obras de construção do Rodoanel. 

O homem aparece agora como Procurador Geral, espécie de advogado-chefe, da cidade de que o senador Aloysio Nunes é originário e que constitui uma de suas principais bases eleitorais. Ele, Aloysio, que nomeou o Diretor de Engenharia da Dersa Paulo de Souza e que abrigava em seu gabinete no Bandeirantes o ex-deputado João Faustino, agora preso como pivô da fraude na cidade de Natal.

Segue trecho da matéria publicada pelo diário “Gazeta do Norte” em sua edição de 30/11/2011.

O advogado paulista Luiz Antônio Tavolaro, que segundo a petição do Ministério Público participou ativamente da fraude à concorrência para a concessão do serviço de inspeção veicular no estado, pediu demissão do cargo de procurador-geral de São José do Rio Preto, interior de São Paulo.  O pedido foi feito ao prefeito do município paulista, Valdomiro Lopes (PSB), por telefone.
O Ministério Público do Estado de São Paulo afirmou que irá abrir uma nova investigação. Os promotores deverão investigar o suposto direcionamento de licitação em favor da empresa Constroeste, que atua no município paulista. A abertura do processo culminou com o pedido de demissão sem possibilidade de retorno ao cargo.
De acordo com entrevista concedida pelo ex-procurador ao repórter Rodrigo Lima, do Diário Web, Tavolaro reafirmou que não tem ligação nenhuma com a Operação Sinal Fechado. "Acho que estou causando um desgaste muito grande para ele (Valdomiro) no momento. Pedi a ele para me afastar e era irreversível. Vou provar que não tenho nada a ver com esse negócio que está acontecendo no Nordeste", afirmou Tavolaro a Rodrigo Lima.
Na mesma entrevista, ele disse que, fora do cargo, pretende se dedicar à sua defesa junto ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, que envolveu seu nome em investigação de fraude em licitação para inspeção veicular. De acordo com a publicação, o telefonema com pedido de demissão ao prefeito ocorreu por volta das 16h20min do dia 28 passado.
"Acho que sou a bola da vez. Estão querendo me perturbar, me pegar e acabar comigo. É coisa para destruir a reputação, não vejo outro motivo", afirmou Tavolaro ao repórter.

Recusa ao próprio rosto




A possibilidade do PSDB varrer suas 4 candidaturas já postas e nomear às pressas João Dória Junior candidato do partido às eleições de 2012 em São Paulo, ao mesmo tempo que soa como anedota para os adversários constitui verdadeiro espelho da psique do partido, que vive para sua autoimagem, sem vínculos orgânicos com a sociedade e absolutamente refratário à própria militância e aos quadros partidários mais qualificados.
O assunto foi exposto pelo jornal Valor Econômico em versão eletrônica desta terça feira dá o governador Geraldo Alkimin como formulador do convite a Dória que, é claro, prontamente aceitou o convite caso seu nome “mostre densidade eleitoral”.

A mesma matéria diz que o nome do apresentador do programa de televisão “O Aprendiz” foi arrolado junto ao dos demais candidatos em recente pesquisa encomendada pelo governador.
A notícia é divertida porque mostra o reconhecimento do governador à afirmação recente do rogado José Serra de que o partido não tem postulantes viáveis, colocação que produziu enorme burburinho e levou os candidatos já lançados à completa exasperação contra o declarante.
Mas as novas são também assunto de divan pelo que trazem de revelador do quanto o partido enxerga a si mesmo como ente midiático dependente de um “show man” que lhe restitua a identidade perdida. Mas a que tipo de homem de espetáculos pretende o partido pedir emprestado o rosto? A ninguém mais que um fictício chefe rigoroso , que premia a eficiência e pune o menor deslize de supostos pleiteantes a uma vaga de emprego!
Pensam os marqueteiros do governador que o universo de referências que cerca a figura do apresentador seria imediatamente transferido à sigla, fazendo com que o eleitorado passasse a vê-la como depositária dos presumidos atributos de eficiência e de seriedade do personagem encenado por Dória.
Que salto mortal no erro dariam se fossem adiante com a idéia. Primeiro porque não é certo que as classes médias vejam o chefe televisivo com o mesmo sentido de admiração com que o vêem os estrategistas de campanha. No fundo poucos acham a figura do chefe meritocrata paradigma de justiça e de competência, a ponto de alinhar-se incondicionalmente com ele nas decisões unipessoais que toma, as quais selam o destino dos que aspiram tão unicamente a uma oportunidade e um emprego.
Depois porque o programa tem características reconhecidamente elitistas, codificado na figura higiênica do apresentador e na trama desenrolada no palco, passando ao largo da sensibilidade da grande maioria de trabalhadores que não se relacionam em seus ambientes de trabalho nem com chefes glamorosos nem com organizações abertas aos sentimentos e aos anseios individuais.
Menosprezariam a capacidade das pessoas discernirem entre o que é ficção e o que é real, passando verdadeiro atestado de preconceito ao grosso do eleitorado, que não imaginaria o apresentador João Doria vestindo galochas para enfrentar o desafio das inundações ou amassando barro em obras de infraestrutura.
Mas, sobretudo, o eventual lançamento do apresentador representaria ressonante bofetada no que resta de militância do PSDB, cuja direção desprezaria o próprio rosto decidindo trocar deputados por um loquaz boneco de TV.   

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Um plano para entregar o contribuinte aos saqueadores

O estouro do escândalo da inspeção veicular em São Paulo e a prisão do ex-secretário do governo estadual na gestão de José Serra, João Faustino, em Natal, expuseram uma manobra urdida no silêncio dos corredores da Assembléia Legislativa e que permitiria a pronta instauração do controle de emissões por automóveis em 126 municípios do Estado de São Paulo, nos mesmos moldes da que vem sendo realizada na cidade de São Paulo.
O Projeto de Lei, que havia sido proposto também na gestão de Serra, já contava com o sinal verde do secretário do meio ambiente Bruno Covas e deveria representar um “garfo” de pelo menos R$ 60,00 de cada contribuinte dos municípios alcançados pela Lei, todos eles administrados por partidos que constituem a base de apoio do governo Alkimin.
Esse enorme mercado aberto à exploração privada seria partilhado, em regime de cartel, pelo grupo das principais empreiteiras que já operam em São Paulo os serviços de pedágio e que poderiam agora engordar seu faturamento em até R$ 200 bilhões anuais, à custa dos munícipes.
Estes já tolhidos economicamente em sua liberdade de movimentarem-se para fora dos limites de seus municípios devido às pesadas tarifas que vigoram nas rodovias que ligam as cidades aos centros de maior peso econômico.
Dois aspectos merecem destaque com relação à silenciosa manobra para tornar obrigatória de uma só vez em todo Estado a inspeção veicular, que agora se sabe, pela farta documentação do Ministério Público, serviria de esteio a esquemas financeiros visando o financiamento de campanhas eleitorais e ao enriquecimento de políticos.
O primeiro é que a pregação contra o aumento da carga de impostos, espinha dorsal dos discursos de oposição ao governo não passam de papagaiada, já que não há impostômetro que de conta de registrar as perdas para os contribuintes devido a taxas, custos indiretos e multas indevidas decorrentes da tutela por empresas privadas do direito individual de posse do automóvel.
O segundo aspecto é o impulso que se dá ao fortalecimento do já gigantesco cartel de empreiteiras que operam as principais concessões públicas e obras de infraestrutura no Estado de São Paulo como o Rodoanel, as linhas de metrô e as instalações para copa do mundo e as olimpíadas.
A depender das autoridades paulistas haverá um tempo em que o cidadão não haverá porque regozijar-se de qualquer queda no pagamento de impostos porque todos os seus movimentos dependerão de que se remunere adequadamente o grupo de empresas que o governo elege em licitações fraudadas para administrar seu direito de ir, vir e de respirar.
Fica cada vez mais claro que a verdadeira plataforma política dos que protagonizaram o escândalo do controle do ar é a vigência de um governo dos cartéis. Sobre os quais não haja efetivo controle democrático, senão que apenas a mais tênue injunção por meio de viciadas Agências Reguladoras, absolutamente capturadas por interesses privados e por quadrilhas de corruptos.  

domingo, 27 de novembro de 2011

Arrecadador de Serra preso em Natal





Aos poucos, como pedras sob águas turvas que se tornam cada vez mais discerníveis na medida em que a corrente flui, começa a ficar também mais clara a relação entre as suspeitas que envolvem a inspeção veicular nas cidades de São Paulo e de Natal.

Como um esquema colaborou com o outro e ambos atuaram com o propósito de alavancar fortunas a empresas e caixas de campanha eleitorais.

Que se lance luz agora sobre esse homem: João Faustino. Ninguém o conhece, mas esse João, agora preso pela polícia federal por chefiar esquema de fraude nos serviços de inspeção veicular na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, foi feito suplente de senador de Agripino Maia, o severo tribuno da plebe nordestino, pelas mãos do paulista José Serra.

Estranho não? O padrinho do prefeito paulistano Kassab, com os bens bloqueados pela Justiça e sob risco de impeachment por suspeita de fraude na inspeção veicular da cidade de São Paulo, patrocinou politicamente outro político com domicílio a quase 4.000 km de distância, por sua vez ele também envolvido em fraudes bilionárias nos serviços de inspeção veicular.

Mas não se apresse o leitor achando que por suas pretensões eleitorais em âmbito nacional, José Serra foi buscar amigos e apoios lá onde as necessidades de voto o exigiriam. Não, José era chapa de João desde os tempos da UNE quando o famigerado (diria Guimarães Rosa) João Faustino, presidiu a seção Norte Rio Grandense da entidade.

Mais, abonou-lhe a ficha do PSDB e abrigou-lhe na antessala de Aloysio Nunes, então seu Chefe da Casa Civil, dando ao amigo o pomposo título de Sub-Chefe da Casa Civil, cargo de que desfrutou por 2 anos e meio. A convivência entre Aloysio e João tampouco foi difícil desde que um e outro trabalharam juntos no governo Fernando Henrique Cardoso, Faustino na condição de Secretário da Presidência para Assuntos Federativos e Aloysio na de Secretário Particular do Presidente.

À aproximação da campanha eleitoral, Serra incumbiu seu “protegée” de levantar dinheiro no nordeste. Com uma boa ajuda de custo no bolso e uma idéia esplêndida na cabeça: reproduzir entre os nordestinos a bilionária experiência da inspeção veicular da cidade de São Paulo que ele, Serra, havia deixada prontinha para ser operada por seu  substituto e depois prefeito eleito graças a seu esforço pessoal, Gilberto Kassab.

João Faustino, usando o nome do candidato presidencial, foi direto à governadora Wilma Maia que tratou às pressas de fazer baixar uma lei estadual instituindo a inspeção veicular no estado.

Os investigadores interceptaram mensagens eletrônicas entre os operadores do esquema que demonstram a atuação da quadrilha na elaboração da lei, do edital de concorrência e até das resposta a serem adotadas no caso de recursos impetrados por concorrentes. Do mesmo modo, as investigações detectaram troca de informações com agentes públicos da cidade de São Paulo com a finalidade de conferir solidez jurídica à lei e aos documentos legais que instauraram a inspeção veicular em Natal.

Com a prisão de João Faustino e a foice que paira sobre a cabeça de Kassab, restam aniquiladas as possibilidades de uma aliança PSDB-PSD em São Paulo, da mesma forma que uma saída emergencial de Serra como candidato a prefeito. Uma mensagem no twitter bem ironizou a situação deflagrada pelo episódio, “não dá para controlar...”, lembrando o nome do consórcio paulista pivô do escândalo.


  

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A desastrosa armação contra Kassab


Em mais um desdobramento da guerra surda que a direita trava nas sombras da política pela hegemonia do eleitorado conservador, o PSDB urdiu, junto à ala Alkimista do Ministério Público, a grande vingança contra Kassab pela ousadia de haver criado a contrafação do partido da socialdemocracia brasileira, o partido socialdemocrata.

Não havia lugar para duas siglas conservadoras em São Paulo, quiçá no Brasil, e o fortalecimento de uma implicaria necessariamente no enfraquecimento da outra.
O plano foi bem urdido. Teria que se mostrar como um raio em céu azul e mexer com as emoções das camadas médias naquilo que lhes parece ser o bem mais precioso que possuem na vida, superior à ela própria: o automóvel da família.  
Irritadíssima por quase não conseguir manter o carro, e sem outra alternativa que venha substituí-lo, dada  morosidade com que se expandiu  a rede de transporte público nos últimos 20 anos, sabiam os procuradores que se lançassem um pedaço de carne aos cães a matilha devoraria a vizinhança toda e o chamado “partido do Kassab” despontaria para a política como Lázaro para os hebreus, um verdadeiro lazarento.
Indício do sentido de cruzada contra Kassab em que se transformou o caso da Controlar, concessionária que realiza a inspeção de emissão de gases dos veículos na cidade de São Paulo, foi a copiosa análise que fez a nova porta-voz do oficialismo da Rede Globo, Madame Lo Prete, sobre os graves desdobramentos que o caso poderia ter, levando até mesmo à cassação do prefeito. Ressoaram no mesmo diapasão os demais clarins da grande mídia: Kassab pode cair!
Mas o disparo contra o alcaíde, que era para ser precisão, foi mesmo é de canhão e a explosão produzida vem detonando as paredes da fortaleza que se tentava construir para enfrentar o Partido dos Trabalhadores nas eleições de 2012.
Com a indisponibilidade de bens de Kassab e de outros 12 ruiu sobre a calva dos seus arquitetos a grande aliança PSDB-PSD que se desenhava para tirar o prefeito dos braços de Dilma e assegurar uma fixação tranqüila de Alkimin no trono do Bandeirantes até 2018.
Mesmo que Bob o construtor seja chamado a corrigir os estragos produzidos no ânimo e na confiança mútua entre os partidários das siglas dos pês, dos esses e dos bês, quem convencerá o leitor de classe média furioso a dar um passo atrás e perdoar Kassab e quem com ele haverá de consorciar-se?
Como acontece em todo terremoto, o time que está na quadra acabará ganhando por WO, pois o que estava a caminho não poderá chegar ao grande jogo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Enfim Fernando Henrique dá as caras e condena violência na USP


Com demora de quase 2 meses Fernando Henrique Cardoso deu as caras no debate que cerca a repressão aos estudantes da USP. Perdeu a oportunidade o ex-presidente de mostrar que a discussão que propunha de abrandamento das leis repressivas que restringiam o consumo da maconha era algo para ser levado a sério.
O que se discute hoje na USP vai muito além de um episódio policial deflagrado pela recusa dos estudantes de submeterem-se aos ditames da lei atual sobre uso e porte de drogas. Diz respeito mesmo ao novo estatuto que deve ser dado à canabis em nossa sociedade, depois que o álcool passou a integrar o lazer de pré-adolescentes, os neurolépticos  a ser prescritos como pastilhas para a garganta e os grandes centros urbanos povoados por inúmeras cracolândias.
Nesse quadro de disseminação de drogas de muito mais alto poder ofensivo à saúde que a própria maconha é que os jovens saíram às ruas e conquistaram o direito, reconhecido pelo Supremo Federal, de manifestarem-se livremente em favor da descriminalização da erva. Isso depois de a polícia paulista haver, por mais de uma vez, dispersado passeatas a golpes de cassetetes e lançamento de bombas de gás.
Fernando Henrique tinha o direito de ser contra ou favor os estudantes. O que não tinha direito era de silenciar quando a Universidade em que foi professor titular e de onde emergiu para vida pública haver sido invadida e ter sua a autonomia ferida com a prisão em massa de estudantes que tinham conquistado na prática, em décadas de persistência,  o direito de fumar em áreas determinadas do campus.
Só a hipocrisia de uma classe média boçal, que se entope de remédios e que enche a cara de álcool quase que diariamente é capaz de considerar que a questão da maconha deva ser tratada como caso de polícia. Principalmente depois que autoridades e personalidades como Fernando Henrique passaram a defender publicamente a flexibilização das leis.
O lamentável é que o patrocinador desse episódio negro das lutas dos jovens brasileiros para repaginar os costumes e promover a abertura cultural tenha sido um partido que se reivindica socialdemocrata e defensor das liberdades democráticas. Partido também da cultura e da abertura para o mundo. Se foi, já não é.
As coisas passam, e como tudo na história também o velho preconceito com relação à maconha, goste-se da idéia ou não, está passando. E passarão com o preconceito os velhos partidos políticos que incapazes de compreender as boas novas que os tempos trazem, preparam-se para governar apenas para os mais conservadores com a bíblia e o porrete nas mãos.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ingerência Estatal na Vida do Pobre Pode!


Vai ser difícil explicar para o eleitor de baixa renda, que se orgulha da moto comprada em penosas prestações, que transportar alguém na garupa de seu veículo faz dele um bandido. Que a namorada ou o amigo não pode ser transportado nos dias de semana porque o compartilhamento do transporte faz dessas pessoas gente suspeita.
Essa é a mensagem que transmite a nova lei aprovada por deputados de São Paulo que proíbe durante a semana o uso simultâneo por duas pessoas da mesma motocicleta. Porque se outro fosse  o significado da lei, como pretenderam os legisladores, deveriam ser alcançados pela medida também os carros de passageiros ou qualquer outro meio de transporte de que se valem duplas de assaltantes para cometer crimes.
A iniciativa legal lembra aquela piada que diz que incomodado com as constantes traições da esposa no sofá do casal o marido resolve vender o móvel. Há sim na inusitada lei a demonstração de um misto de preconceito e de incapacidade para resolver as coisas ao modo certo, provendo a segurança de que motociclistas, motoristas e pedestres esperam seja provida pelo Estado em defesa da liberdade constitucional de ir e vir.
Mas eis que são os campeões da liberdade, aqueles que acusam na esfera econômica qualquer um que queira estabelecer freios à sanha de acumulação privada na oferta de bens e serviços públicos, que dão o passo autoritário de impor aos cidadãos a “manu militari” a forma como devem deslocar-se, ou mais, restringindo o direito de uso de bem privado.
A medida é inconstitucional e deverá  barrada na corte federal, mas constitui clara evidência do quanto o discurso liberal do direito de dispor dos próprios bens vale apenas para determinadas classes da sociedade. É indício também de falta de sensibilidade política, que deverá cobrar seu preço nas urnas.  

Os nervos de Serra




O isolamento de Serra no PSDB vem produzindo situações patéticas. Ignorado pelas diferentes alas do partido em todos os planos da direção partidária, da nacional à municipal, o ex-candidato resiste a assumir sua morte à luz do dia e recolher-se ao esquife, como fazia o personagem de Bram Stocker, Drácula.
Deu para brigar por causa de publicações cuja tiragem não ultrapassa os cem exemplares, a levar-se em conta informações de Renata Lo Prete, da Folha de são Paulo, que revela xingamentos do político ao representante do núcleo de jovens, o impúbere e desconhecido Paulo Mathias, a quem Serra teria acusado de chefe de “bando de pelegos”.
Tamanha parece ter sido a impropriedade política do episódio que o maior aliado de Serra no partido, o senador Aloysio Nunes, foi levado a distanciar-se do amigo e a solidarizar-se com o rapazote.
O incidente teria passado desapercebido se momentos antes o desnorteado presidenciável não houvesse ido às turras ao telefone com o presidente do diretório estadual do PSDB, ameaçando o partido de cruzar os braços nas próximas eleições caso vença posição da instância estadual de lançar candidato próprio.
A ameaça de Serra produziu o descontentamento até daqueles que lhe devem vassalagem política, como o secretário da Cultura Andrea Matarazzo, que manifestou contrariedade com a ameaça dirigida também à sua postulação de candidato.
O fato é que a consagração do candidato petista Hadad um ano antes das eleições pôs os adversários em polvorosa e tornou urgente a decisão por parte do PSDB de lançar candidato às próximas eleições ou apoiar a candidatura de outro partido.
De olho em sua permanência à frente do palácio dos Bandeirantes Allimin não desejaria outra coisa. Mas o exemplo de obstinação em favor de candidatura própria que deu nas eleições passadas, quando confrontou Kassab, retira-lhe a autoridade para fazer o jogo que é do seu desejo: apoiar o vice-governador Afif Domingues em troca da repetição da dobradinha que o levou à direção do governo.
A solução do agrado de todos seria cravar a estaca no coração de Serra fazendo-o disputar as eleições do ano que vem.  Mas vampiro com doutorado que tem, dorme com um olho fechado e outro aberto e diz que não pretende chupar sangue ano que vem.

O individualismo que encarcera



Houve um tempo em que a filosofia era um guia para vida e forma de relacionar-se com tudo que lhe é próprio: as perdas, as penas e as alegrias. Antes ainda que a religião pudesse separar as pessoas em igrejas cambiando obediência e fé pela atenuação do medo. E a diversão a qualquer preço se oferecesse como possibilidade desviante das angústias humanas.
Havia então filósofos em cada esquina das primeiras cidades e pelos quintais as pessoas lembravam-se mutuamente da matéria escorregadia e mutante de que é feita a vida. Se o infortúnio sucedia a alguém nos vilarejos da China antiga reputava-se à dupla natureza dos acontecimentos, positiva e negativa (ying e yang) não apenas os efeitos funestos que vitimava, mas também a abertura para novas possibilidades portadoras da fortuna e felicidade pessoal.
Como sucedeu ao aldeão que despertado à noite por um cavalo negro que adentrou suas possessões viu na manhã seguinte acorrerem ao seu encontro os vizinhos, que se congratulavam com sua boa sorte. Incrédulo quanto qualquer sentido exclusivo para o evento, preferiu esperar pelos dias que se seguiriam. E eis que seu filho, jovem intrépido, ao cavalgar o alazão caiu de seu dorso, vindo a perder o movimento de uma das pernas. Mais uma vez os vizinhos vieram ao encontro do aldeão, desta vez para manifestar solidariedade com o infortúnio. Incrédulo da natureza definitiva dos fatos, o pai pesaroso também desta vez resolveu esperar. E não tardou a chegar a notícia de que um conflito eclodira e que todos os jovens em idade de combate estavam sendo recrutados para o confronto. Terminada a guerra nenhum jovem jamais retornou à casa paterna.  Sobreviveu à tragédia apenas o filho do aldeão que, inválido, fora recusado para frente de luta.
De modo não muito diferente pensavam os estóicos, que não acreditavam na possibilidade de se resistir aos fatos desde que a comandá-los  estavam as forças do universo, dos quais são meras manifestações. Contra a força bruta dos acontecimentos possuíam os homens à disposição força muito superior, porém de natureza sutil, o logos.
Essa força essencialmente humana residia na capacidade de esperar, ordenar as iniciativas e operar por pequenos movimentos valendo-se da razão e da inteligência, para que a força bruta perdesse potência, se volatizasse e pudesse desse modo retornar à imaterialidade dos princípios básicos dos quais se originou; o fogo, a água, a terra e o ar.
A vitória sobre as circunstâncias nômades e inesperadas da vida só seria possível porque apenas a ele homem é dado combinar, em seu favor, cada um daqueles princípios, temperando o próprio espírito de coragem e bravura por meio da pneuma, a energia que anima a vida.
Mas essa contra-força ordenadora ganha amplitude exclusivamente no espaço da vida em comunidade, na vida da polis, no intercâmbio com outro. Daí não ser algo do âmbito do religioso, mas sim do social. Puro exercício de liberdade, do mesmo modo como pensou o homem Jean Paul Sartre, que, apartado das coisas inanimadas, “o ser em si”, faz-se humano ou “ser para si” quando colocado em relação com o mundo. Quando ama, doa-se e luta pelo direito de outrem de comer o pão e também de ser feliz.
Para Lao Tzu, Zeno e Sartre estamos todos lançados no mundo, sós e apartados. Fazemo-nos humanos a nós próprios no momento em que no exercício da liberdade buscamos romper o isolamento que a vida nos impõe, promovendo sucessivamente as pessoas, o grupo e o país. No mesmo movimento em que, recusando os dogmas da religião e da individualidade, abrimos as grades da prisão invisível que encarcera e mata a todos, individual e compassadamente.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A Propaganda Imoral do HSBC



O que as empresas financeiras não fazem para vender! Ou melhor, o que fazem para degradar as relações humanas a fim de imputar-lhes um preço e comercializá-las em mercado! 

E a velhice, desvalorizada pela glorificação midiática do corpo jovem e pelo apelo ao descarte de tudo que perdeu estilo, oferece-se como vítima preferencial dessa pregação.
A reflexão é sugerida pela propaganda de um grande banco, que vem sendo veiculada pelas emissoras de TV, em que um idoso percorre com semblante contristado as dependências do que seria um asilo, acompanhado por alguém que lhe serve de guia às instalações do lugar.
Perfilam pela câmara a sala de televisão, onde um grupo de internos queda-se silencioso diante da tela de um aparelho de TV, de modo mimetizar deliberadamente a audiência que assiste à propaganda.
Em seguida a sala de jogos, em que outro grupo movimenta, com gestos maquinais e rostos destituídos de alegria, peças sobre tabuleiros.
Por fim, o quarto reservado ao suposto interno abre-se à audiência sob o giro da maçaneta do enigmático acompanhante. Momento em que os olhos do idoso erguem-se em direção ao guia com ares ao mesmo tempo de súplica e de condenação. Enquanto isso, cenas em retrospectiva retomam um momento qualquer da vida do infeliz homem, quando podia entregar-se ao convívio dos que amava.
É nesse instante que a tensão criada pela peça de ficção é dissipada para fazer revelar que as instalações do iminente confinamento não são as de um asilo, mas as de uma “casa de repouso” legadas por quem agora se apresenta como sendo um zeloso pai, por meio da poupança de um plano de previdência privada.
Num último segmento, o pai é mostrado abandonando o lugar palco das angústias que as imagens antecedentes insinuaram. Suas expressões são de alegria, enquanto o filho lhe acena da janela.  Sorte que, presume-se, não tiveram os demais internados devido à incúria dos que não adquiriram o produto do HSBC.  
A peça publicitária, em que pese o glamour da produção, é abjeta. Sabe-se que o objetivo de qualquer instituição financeira não é amparar os mais velhos, mas ganhar dinheiro. Bem poderia, no entanto, o banco inglês pautar-se por um pouco mais de decência diante das famílias brasileiras, que de modo algum vêm-se diante do dilema proposto ou de abandonar seus idosos em asilos ou de financiar o sucesso daqueles que serão, no futuro, seus proprietários.
Sem qualquer surpresa para quem se acostumou ao aviltamento dos mais vulneráveis e ao projeto de cobiça desmesurada dos grandes bancos, o filme é a reiteração luminosa do quanto a mídia e seus principais anunciantes desdenham dos valores morais que dizem propagar. Pior, o quanto o coração da nossa sociedade, que não vê nada de anormal na peça, endureceu diante dos que instituem a monetização do amparo e a cotização do afeto.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Os covardes que agridem os fracos



Imagens repugnantes de moradores de rua sendo agredidos pela guarda municipal vêm sendo mostradas em imagens corajosas de determinado canal de televisão.
Os fatos referem-se a práticas reiteradas de agentes estatais que vão desde o lançamento de água contra pessoas dormindo nas calçadas, por funcionários de regionais, a espancamento de grupos abrigados sob marquise e viadutos.
Muito embora esse tipo de ação tenha sempre se verificado em todas as administrações municipais, porque refletem a intolerância da própria sociedade que clama pela ação higienista do poder municipal, apenas na gestão de Andrea Matarazzo à frente da Secretaria das Subprefeituras é que adquiriu caráter de política pública oficiosa.
Andrea Matarazzo colocou à frente da Coordenadoria da Guarda Municipal na Subprefeitura da Sé Daniel Salati, ex-diretor da CESP e professor aposentado da UNESP, que com muito “gusto” e à mando de Andrea comandava rondas noturnas para expulsar de modo violento moradores de rua da região central da cidade.
A narrativa que vem a seguir foi reproduzida do relato de um dos soldados de Salatti e refere-se a uma noite em que, depois de lançar rojões contra indivíduos abrigados sob um viaduto e ato continuo agredi-los a golpes de porrete, uma mulher grávida projeta-se das trevas, arranca as roupas e desafia o chefe covarde. O texto foi escrito sob o forte impulso da emoção que o relato invocou.
“Num dia qualquer num beco qualquer de uma São Paulo escura, uma moradora de rua a quem a vida conduzira a sarjeta, portando no ventre o herdeiro da sua desgraça, viu-se cercada por homens fortes saídos da madrugada. Traziam na mão o insensível porrete e no peito as insígnias de autoridade. Agiam nas trevas porque não lhes permitia o disfarce de agentes públicos que a missão indigna fosse executada à luz do dia.
Diz-se que a mulher subitamente despertada do abandono por estampidos de rojão, testemunhava qual animal acuado o espancamento impiedoso de seus pares pelos homens que as sobram traziam. Os pedidos de clemência se chegavam a sair das gargantas logo não sobreviviam ao cimento frio.
A frente dos agressores, o chefe. Olhos coalhados de perversão, comandava com íris ensandecidas a precipitação dos porretes sobre as ossadas andrajosas. Então o impensável sucedeu: a mulher avançando entre os demais desvalidos postou-se diante do comandante dos algozes.
Fitando a alma que a fera não tinha arrancou as poucas roupas que vestia para expor ao selvagem o último trunfo da sua miserável existência, a barriga de mãe vinda a lume pela última estrela sextante daquela madrugada imunda.
Carregando em si o filho ainda não vindo confrontou a criatura noturna e conclamou-o com o fio de voz que lhe restava a perpetrar o ato de suprema afronta, ao mesmo tempo sacrifício e prêmio derradeiro de uma vida perdida.
Mate-me! Mate-me! Gritava a mulher nua como se divisasse no ofensor os próprios deuses que, ao invés da ajuda na maternidade desassistida enviavam-lhe a incompreensível punição por meio de soturna figura.
...E o monstro, que talvez um dia tivera mãe ou quem sabe até filhas, viu-se perpassado em único e breve segundo por aquele sentimento de piedade que é dado experimentar até aos mais miseráveis nesta vida. Mas que por tratar-se de algo que lhes é antinatural escapa aos seus corações como sangue ao rosto dos agonizantes.
Dissipado o estupor o algoz passou a ganir a ordem patética : Vista-se! Vista-se!
Então, como num milagre, da sarjeta o esquálido corpo materno ergueu-se gigante diante do algoz, reduzido à força da covardia ao mais insignificante nanismo. Assim foi que a dor venceu.
Sublime, a dor venceu... mesmo que ninguém tenha notado seu uivo no breu da noite nem seus espasmos no corpo tenso .
Mas eis que por ironia ou divina justiça o halo da anônima virtude, em confronto solitário com a ignomia, teve o condão de lembrar-nos no curto instante da frase lida o quanto damos nós mesmos abrigo à injustiça e à covardia.
Peçamos então nós, em cujos peitos se distende uma última fibra de humanidade perdão a toda gente ofendida: perdoa mãe querida, eles não sabem o que fazem”


  

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Alguem viu FHC no conflito da maconha dentro da USP?

Parece que progredíamos em termos da compreensão da mecânica do crime organizado e que, finalmente, gente conhecida, com poder de influenciar a opinião pública e os políticos, assumia posições novas mostrando as conexões existentes entre os rigores punitivos das leis antidrogas, no que respeita ao consumo da maconha, e os crimes de extorsão e de colaboração com o tráfico perpretados pelo aparelho policial.
Fernando Henrique foi uma dessas figuras com notoriedade que levantaram a bola sobre o assunto. Deu entrevistas, escreveu artigos e até protagonizou um documentário em que condenava o arcaísmo das leis e a contribuição que davam aos sempre crescentes índices de criminalidade nas grandes metrópoles brasileiras.
O arejamento da discussão sobre o tratamento que deveria ser dado ao usuário da maconha criou condições para que os jovens saíssem às ruas para levantar as mesmas bandeiras, a ponto de forçar o Superior Tribunal Federal a considerar legais as manifestações de rua com esse propósito.
Esperava-se que, por tudo isso, Fernando Henrique Cardoso e os que lhe secundaram na defesa da flexibilização da lei tivessem outra postura ao primeiro caso concreto de insurgência com que se deparassem, como resultado do respaldo à causa da liberdade que pareceram representar aos jovens mais mobilizados em torno da questão, dentre os quais, é claro, os estudantes da USP.
Mas surpresa. Não apenas os arautos de uma nova postura diante da lei deixaram de intervir quando eclodiu uma crise em torno do tema no momento em que policiais detiveram jovens no campus, lócus da autonomia universitária, como permitiram uma escalada de violência que culminou com a ocupação da reitoria da universidade.
Daí em diante silêncio tumular da principal referência na temática das drogas, já que ninguém mais que FHC tinha o dever moral de pronunciar-se sobre a marcha da insensatez que teve lugar quando a PM optou por levar, por conta e risco, dois jovens à delegacia.
O desdobramento dos acontecimentos expressa a falta de seriedade dos nossos políticos ao levantar temas de interesse da sociedade. A qualquer momento poderá surgir uma vítima fatal. E a leviandade com fins eleitorais cobrará seu preço em decilitros de sangue de alguém cheio de esperança que cometeu o erro de acreditar nas raposas desdentadas da política brasileira. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Titanic Chega em 3D


James Cameron produziu uma versão em 3D de Titanic. O filme no novo formato avança por sobre o inconsciente e mostra numa dimensão avassaladora que tudo pode mudar de uma hora para outra.
Filmagem de 1997 sobre um acontecimento ocorrido há cerca de 100 anos, Titanic traz um Leonardo di Caprio ainda aos 23 anos com o rosto não enrijecido pelos cacoetes que costumam fazer com que atores talentosos pareçam meros reprodutores de variantes de personagem precedente.  Contracena com Kate Winlet, um ano mais nova que ele e cujo frescor confere mais dramaticidade aos fatos narrados.
Com seus 1,8 bilhões de dólares de faturamento, perde apenas para o campeão absoluto de arrecadação da história do cinema, o filme também de sua direção Avatar cuja bilheteria fêz 2,7 bilhões de dólares. Recebeu 11 Oscars da Academia de Cinema quando de sua estréia  e rendeu outros múltiplos de faturamento em merchandising e formatos adaptados para outras mídias.
O bem sucedido Cameron investiu 18 milhões de dólares e um ano de trabalho na conversão do filme para o formato 3 D por acreditar que a película possa reeditar, pelo menos em parte, o sucesso original de público e dar partida à uma onda de adaptações de grandes sucessos do cinema para o novo padrão, que deverá, como a TV colorida, ser dominante à partir do momento em que se generalizarem os programas televisivos no formato de 3D.
Mas a aposta do diretor no empreendimento envolve bem mais que senso de oportunidade, que, aliás, sobra-lhe no segmento em que atua. Sua crença no sucesso do lançamento advém da percepção de que a narrativa mantém perfeita aderência aos tempos atuais, configurando quase que uma metáfora do espírito dos dias que correm.
A grande embarcação de luxo, toda aço, conforto e luzes constituía-se na certeza de prevalência da tecnologia e da perícia sobre as forças da incerteza. Todas as classes acomodavam-se contentes no interior da sua estrutura  gigantesca, certas da chegada a um destino benéfico a todos.
Se não havia fausto para muitos ao menos havia o sentimento da glória de poder compartilhar das emoções de um tempo em que as distâncias haviam se tornado tão pequenas e que a proporção enorme de tudo guardava a sugestão de estar reservada uma oportunidade para que cada um pusesse à prova as energias criativas da individualidade. Ouse, arrisque, busque o que é seu, era o apelo iconoclasta do momento.
“Se Deus está com nós, quem estaria contra nós “o dístico religioso que aplainava as diferenças pela certeza  de que um desígnio supremo urdira um plano de prosperidade para quem o cresse. Não havia espaço para cogitar de erros, nem de omissões e desprezível parecia ser a preocupação com o acaso e com a sorte do outro.
Isso até a fatídica noite em que o inesperado deu as caras e a convicção numa força ordenadora superior mostrou-se crença tão vã quanto fora antes a falta de confiança  no próximo. O grande transatlântico negro naufragou. O titã dos mares adernou por causa de uma espécie de displicência compartilhada e uma simples, porém inamovível, pedra de gelo.
Faltava não muito para 1929.  Também agora se tem a funesta impressão de que a grande embarcação já não pode singrar os mares do mundo. Que a predestinação da chegada ao porto seguro revelou-se o que é, pura euforia, religião e escapismo.
Novamente experimenta-se a angústia de que o barco lentamente aderna. Barco grande demais, do tamanho da incúria e da megalomania do eu, que em seu deslocamento água abaixo traga tudo que está a derredor.
Cameron viu no naufrágio de seu país o sucesso da reedição de Titanic. Não há como deixar de reconhecer-lhe o acerto. Estarei na primeira fileira.