sexta-feira, 2 de março de 2012

O primeiro passo em falso do candidato Serra


Diz um conhecido adágio que esperteza demais acaba devorando o esperto. Esse é o risco em que incorre a dupla Serra- Kassab ao anunciar que o ex-governador poderia apoiar a recondução de Dilma Russef ao Planalto em eventual disputa contra seu colega de partido, o mineiro Aécio Neves.

O estratagema repete o usado pelo ex-governador em 2010 quando deu a conhecer que se eleito presidente daria continuidade às grandes linhas do governo Lula da Silva.
Além de não convencer adversários, a idéia, gestada em laboratórios de marketing eleitoral, produziu um cisma irreversível na própria base eleitoral do candidato.

Deve considerar Serra agora que, em virtude da aproximação do seu adepto prefeito à base de apoio do governo federal, o argumento soaria mais verossímil. Com aparência de verdade sim, de algum modo convincente jamais.

Para que Serra abandone o candidato presidencial tucano de momento,  em favor de Dilma, teria antes que anunciar o abandono futuro de seu partido e recusar, desde já, o apoio de que necessita das instâncias partidárias superiores do PSDB - todas alinhadas com o senador mineiro - a  fim de que continue cogitando de vencer nas eleições de outubro.

O suspeitoso gesto mal esconde o fato que verdadeiramente o motiva; a preocupação com a popularidade da presidente que, de acordo com pesquisas a serem divulgadas, conta com índice aprovação de 62% no Brasil e algo inferior a isso na capital paulista.

Tampouco oculta o incômodo com a popularidade nas alturas do presidente Lula da Silva que, convalescente de doença grave teve sua força eleitoral reforçada pela gratidão que lhe devotam diferentes setores da sociedade pela rota de sucesso em que colocou a economia nos últimos dez anos.

Mas se as falaciosas declarações de apoio a Dilma não têm o condão de fazer baixar os fuzis que haverão de levantar-se – à direita com Chalita e à esquerda com Haddad – contra a tentativa do ex-governador de reerguer-se na cena política, possui octanagem suficiente para carbonizar a recalcitrante confiança que ainda depositam em Serra a militância e a liderança tucana, de que desta vez não fará uma campanha traiçoeira a seu próprio partido.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Uma estratégia de campanha para Haddad: o Serruf

Há um quê de dèjá vu no lançamento de Serra. Não exatamente na apresentação de seu nome às eleições, por todos de algum modo esperada.
O que parece soar como nota repetida é o quadro dominado pela figura de um candidato da velha guarda que polariza o debate político, numa espécie do conhecido refrão “daqui pra frente tudo vai ser diferente”. Em outras palavras, a lembrança da figura de Maluf.
E é este o calcanhar de Aquiles de Serra nesta eleição. Não é o fato de haver renunciado sucessivamente à prefeitura e ao governo do estado para pleitear a presidência da república, nem seu perfil pouco carismático de quem tudo sabe e tudo fez, contudo sem nunca ter experimentado qualquer entusiasmo pelo que aprendeu ou realizou.
Isso, Serra é como Maluf: uma central de repetição de discursos; um ser robótico autoprogramado para levar a termo a missão mesmo que a custa da implosão do ambiente em que se move, o seu partido. Como ente cibernético de filme de ficção, não tem pertencimento a nada senão que os objetivos o têm sob completo domínio.
O que existe de repetitivo em Serra é o que o distância de seus concorrentes nas eleições para prefeito de São Paulo deste ano. Que tenha feito isso ou aquilo interessa apenas à parcela dos eleitores que possuem identidade ideológica com o candidato, por considerarem de maior valia a garantia de permanência e de conservação do passado, veiculado num discurso que repete a si mesmo.
Talvez os partidários da tese de que o ex-governador é competitivo nestas eleições deixaram de tomar conhecimento dos estudos divulgados pela Federação do Comércio, nos últimos dias de fevereiro de 2012, de que a classe média brasileira passou a compor 61% da população desde 2003, ano em que não chegava de 50% do total. Para o diretor da entidade, o fenômeno mostra a clara tendência de que esse contingente populacional continuará a crescer nos próximos anos, trazendo consigo um aumento de renda das camadas de mais baixa renda da população.
Não entendem aqueles que se empolgam com a candidatura Serra que estão em andamento mudanças abrangentes na estrutura de classes da sociedade brasileira, e que também na superestrutura política existe uma demanda enorme por mudanças que coloquem o estado em sintonia com a pujança dessa nova sociedade emergida de uma década de expressivo desenvolvimento econômico.
A aposta na mesmice que faz o PSDB com seu candidato “preparado” revela isto sim o completo despreparo das oposições para intervirem nas atuais circunstâncias que o País vive, de florescimento da moral, do ânimo e da confiança no futuro; próprios a uma nação que atravessa transformações históricas.
Percebido este descompasso, não precisam os candidatos que representam a expectativa de mudança insistir na lembrança de que Serra é contumaz no abandono de promessas de servir à população paulistana. Basta-lhes lembrar do quanto Serra lembra Maluf, do quanto seu discurso contém de passadista. Basta-lhes soprar na brasa incandescente do Brasil que cresce a confiança no que virá e o destemor de que as novas gerações possam conquistá-lo.
Afinal, Serra e Maluf estão juntos. Não estão?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Recriação de um conto iraniano



Conta-se que em Teerã, ainda antes que o Zoroastrismo ganhasse a devoção dos habitantes, vivia nas vielas daquela cidade vestida de branco, com suas paredes caiadas e de calçamento irregular, um homem chamado Toriri.

Conhecido como uma boa pessoa, dedicava sua vida a praticar o bem. Generoso e oferecia a quem demonstrasse desânimo um sorriso e uma palavra de estímulo.

Atendia aos velhos nas praças e não deixava qualquer pedinte sem uma moeda. Cultivava a literatura e defendia os desafortunados das injustiças dos poderosos. Não tinha inimigos e sua expressão de serenidade jamais se turvava diante da contrariedade ou ofensa. Por esse motivo era amado pela sua gente, na vida tão comum que levava.
Mesmo sendo casado com uma mulher que lhe parecia o oposto, por agressiva e intolerante que era, Toriri curvava-se a sua irrascibilidade e sempre buscava atenuar-lhe o mau humor com palavras gentis e com estrofes de Saadi, o poeta das rosas.
Na gruta, à saída da cidade, vivia outro homem tido também como bom e justo entre os seus, o eremita Maitreya . Recolhera-se ainda jovem à vida de asceta e o tempo de décadas fizera de seu corpo uma esfinge envolta em longos cabelos negros e barba espessa que vestiam seu corpo enrijecido pela abdicação de todo conforto.
Visitado por peregrinos nos dias de solstício de inverno, certo dia ouviu de um deles o relato sobre Toriri. Disse-lhe o peregrino que na cidade havia um homem muito bondoso em quem todos confiavam como guardião do bem junto à comunidade. Disse também que se pudesse o deus Ormuzd ouvir ao seu simples anseio de peregrino, permitiria que Toriri dispusesse do poder, ainda que por um dia, de tornar realidade tudo que jazia em seu bom coração.
O asceta depois de ouvir o pedido do peregrino e confiante que a virtude divina não favorecia aqueles que viviam na licenciosidade dos homens senão no silêncio da reclusão, ergueu os braços descarnados lentamente para os céus e pediu ele mesmo a Ormuzd que atendesse àquele peregrino, dando prova a todos do significado da devoção.
Ao terminar sua imprecação, relâmpagos luziram o céu, chispando os olhos do profeta, cristalizados como a pedra dura. Ao mesmo tempo seus lábios descolaram-se um do outro para dizer que Ormuzd haveria de atender aquele pedido. Disse que o deus houvera concedido a Toriri o dom de fazer realizar o primeiro desejo que lhe viesse ao coração, no primeiro momento do despertar de cada manhã.
O peregrino, que não conteve o júbilo, regozijou-se com tamanha concessão e pôs em palavras seu pensamento na caverna escura, exclamando que a cidade viveria dali em diante uma  era de prosperidade e ventura. Pudesse enxergar pela densa barba do asceta veria a balançar um tênue sorriso de dúvida.
Foi assim que Toriri despertou na manhã seguinte e beijou a fronte da mulher como fazia todos os dias, ao que ela num ímpeto de desespero correu à janela e projetou-se por sobre o parapeito. Ao descer atônito deu à rua com um grupo de mendigos de sempre, mas ao depositar-lhes  as moedas nas mãos, antes que estas se fechassem, seus corpos vieram desfalecidos ao chão. Consolado depois da morte da esposa pela mais bela moça da cidade,  Mandanik, que o tinha em tamanha consideração, ao afeto do seu abraço o belo corpo da jovem caiu morto ao solo.
Naquela noite mesmo Toriri pôs fim à própria vida, fazendo atravessar um punhal no coração. Por vontade de Ormuzd, terminou também na mesma noite  a vida terrena do asceta. Foi uma noite sem lua, em que o povo recolheu-se entristecido ao silêncio das suas casas.
No reino de Ormuzd, o homem comum e o asceta apresentaram-se ao grande deus para colher a recompensa final por uma vida digna. Dirigiu-se a divindade aos dois, que de cabeça baixa aguardavam pelo veredicto com diferentes sentimentos na alma. Toriri de fracasso, Maitreya de confiança no reconhecimento.

Disse-lhes o deus:
- Toriri, tu que soubestes ser humano entre humanos, contribuindo com a construção dessa civilização que guardo com meu cajado, abro a ti as portas do meu reino. Por certo te dilacera o coração o desgosto pelo que presumes ser o mal em que incorrestes, mas saibas, meu bom Toriri ,que o primeiro sentimento de um homem é sempre imperfeito. É animado pelo egoísmo, que nada mais é que morte do que lhe é alheio. Vê Toriri, que sufocar o impulso primeiro tornando a ventania da pusilanimidade em brisa de acolhimento, é essa a maior conquista de um homem no mundo inteiro!

E continuou:

- A você, Maitreya, também concedo a vida no paraíso, apenas por compreender a falha de quereres viver em reclusão. Fossem todos os homens como tu e a humanidade pereceria na busca insensata deste mundo perfeito que não é o dela, mas o meu. Zelo para que a humanidade se faça mais humana pela vida imperfeita que vive na terra e tu, Maitreya, foi guiado pelo egoísmo de querer chegar ao reino dos céus antes que os teus.
Por fim sentenciou:

- a ti, Toriri, ofereço o meu reino porque sou justo; enquanto a tu, Maitreya, concedo-te o perdão porque sou generoso.

Diante de deus Toriri baixou os olhos e chorou, Maitreya ergueu os seus e agradeceu. 

(na gravura, o poeta Saadi de Shiraz)      

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Eva de Kassab

O que tucanos mais ingênuos não conseguem entender é que por detrás da candidatura de Serra está a urdidura de um plano que tem em vista fortalecer o partido de Kassab a ponto de permitir a Serra no futuro liderar uma dissidência dentro do PSDB.

O Plano visa dar a ele ou a um outro, que não Aécio (Marina Silva, quem sabe) condições de viabilizarem-se candidatos à presidência da República, com o apoio do grande partido de centro-direita que será o PSD.

O ex-governador demorou a lançar-se às previas de seu partido porque preferiu antes impor uma rendição incondicional ao seu rival Geraldo Alckimin, ameaçando-lhe com a possibilidade de o recém-criado partido de Kassab vir a tolher seu caminho de retorno ao palácio dos Bandeirantes quando da tentativa de reeleição em 2014.

Nesse sentido, a entrada abrupta de Serra na disputa nada tem a ver com o desprendimento de pretender fortalecer o PSDB no estado a fim de tornar mais fácil a manutenção do poder por mais quatro anos em São Paulo, findo o governo Alckmin.

Trata-se da tentativa de instituir uma polaridade em São Paulo que permita aos de seu grupo acomodarem-se à frente de um novo bloco político uma vez manifestos os inevitáveis efeitos de fadiga de material, depois de concluídos os 20 anos de controle do governo do estado pelo PSDB.

Serra tem os olhos postos no futuro. Sabe que é uma imposição do jogo democrático a alternância de poder e prepara a construção de um partido que nasça em 4 ou 5 anos dos escombros do PSDB, dando uma segunda costela ao PSD. Em face desse projeto, talvez nem Alckmin tenha garantias do apoio de Kassab, e, portanto, de Serra, nas eleições de 2014.

Quem será usada nesse jogo de dissimulações que move a caciquia partidária, é a militância do partido. Pensando ganhar as eleições para a Prefeitura de São Paulo e com isso salvar o partido de uma derrota para o PT, estará, isto sim, cavando – como diz Cartola em uma de suas mais belas canções – um abismo com os próprios pés.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

O velhaco e a falecida

A que ponto pode chegar o jornalismo velhaco de algumas emissoras de TV é algo impossível de prever.

Ao noticiar a morte de Eliana Tranchesi, dona da boutique de luxo Daslu, o jornalista Boris Casoy arrematou a matéria que fora ao ar no telejornal por ele apresentado, com o comentário de que a comerciante teve a morte apressada devido ao fato de haver sido usada para fazer névoa ao escândalo político conhecido como “mensalão”, durante o governo Lula.

Não bastasse a impropriedade de invadir com seu comentário a seara médica, atribuindo a causas emocionais o câncer que vitimou Tranchesi, o apresentador esquece-se que a invasão autorizada da loja para apreensão de documentos revelou-se rumorosa em razão da notoriedade que havia adquirido, no Brasil e no exterior, o negócio da empresária como símbolo da ostentação e do pagamento de preços milionários por consumidores de altíssima renda.

A repercussão do desbaratamento da quadrilha que agia sob mando da socialite e de seu irmão, preso na ocasião, não foi senão consequência  da estratégia de marketing que ambos adotaram para a atração de clientes, fazendo-os crer que a simples frequência à glamurosa loja de 17.000 m² era distinção o bastante para colocá-los entre VIPs do mundo.

Mostrado à sociedade como simples esquema de fraudes que era, tomando aos ricos e ao governo, a prisão dos Tranchesi transformou-se em fato midiático pela simples surpresa que o episódio causou ao próprio público lesado e ao restante da população, que via com estranheza tamanha concupiscência das pessoas envolvidas.

Definitivamente, se a mortalha de mártir não caiu bem à falecida Eliana Tranchesi, o papel de oportunista coube à perfeição ao apresentador.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eternamente devedor

Quem já não atrasou uma prestação ou calibrou mal o orçamento pessoal e incorreu numa dívida que não podia pagar?
Muita gente, inclusive juízes e altos executivos. Pois o Tribunal Superior do Trabalho julgou procedente a prática de empresas de contratar funcionários mediante prévia consulta a organizações comerciais que elaboram cadastro de inadimplentes, como SERASA e SPC.

A decisão, que vem sendo chamada de “ficha limpa do trabalhador”, configura claro cerceamento à liberdade de trabalho e ameaça restringir os avanços obtidos na diminuição da exclusão social no Brasil em favor de empresas que prestam informações de crédito.

Significa dizer que é mais prudente deixar o filho morrer que deixar de pagar a geladeira. Porque por detrás do produto tem uma grande corporação cujos balanços não podem ser prejudicados pelo que se diria ser um problema pessoal do pagador, agora classificado de caloteiro.

O veto ao emprego decorrente da aplicação da jurisprudência é além de discriminatório insensato, pelo fato de impedir quem queira quitar suas dívidas – que é a maioria dos devedores – de poder fazê-lo, pelo simples fato de não encontrar mais trabalho.

Danosa também ao País. Com a ameaça que paira à partir de agora sobre todos aqueles que contraem uma dívida, qualquer consumidor pensará um milhão de vezes antes de ceder ao apelo de uma propaganda, o que transferirá o efeito dessa insensibilidade social não só ao bolso dos que vierem a adotar a medida como também ao conjunto da sociedade.

Caso vivamos em regime de verdadeira democracia e sob a jurisdição de instituições que tenham os interesses da sociedade como princípio, essa verdadeira aberração jurídica será barrada pelo Superior Tribunal Federal, aonde irá a julgamento em grau de recurso.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Confiar em ciganas

Pouco em voga hoje em dia, o termo “cristianização” teve grande circulação na década de 90 para caracterizar o abandono político de que foram vítimas as candidaturas peemedebistas à presidência da República de Ulisses Guimarães e Orestes Quércia.

Sua aplicação à malfadada campanha eleitoral dos dois políticos foi originalmente tomada de empréstimo a outro episódio que marcou a política brasileira. Mais precisamente nas eleições de 1950, quando os três principais partidos de então apresentaram seus candidatos ao pleito.

 O PTB lançou Getúlio Vargas com o lema “ele voltará”; A UDN, seu principal adversário, lançou o Brigadeiro Eduardo Gomes, apoiada no inacreditável slogan “ele é bonito e solteiro, reserva moral do Brasil”; já o pendular PSD foi às eleições com o mineiro Cristiano Machado que, pelo fato de haver sido alertado por uma cigana de que seria presidente, adotou o risível mote “a cigana não se engana, vote Cristiano”. Acabou esquecido pelos apoiadores.

Se há por trás de Serra agora uma cigana que lhe embala as ambições não se sabe, mas o fato é que a idéia do candidato de ir às urnas, ladeado pelo imberbe Bruno Covas, no que se convencionou chamar de chapa puro-sangue, tem tudo para redundar no mesmo fiasco que celebrizou a derrota de Cristiano Machado.

Não que o ex-governador deixe de empolgar os setores mais conservadores da sociedade paulista, sobretudo depois da inaudita pregação moral que praticou contra a candidatura da primeira mulher a disputar uma eleição presidencial no País. Nem que lhe falte suficiente suporte econômico por parte de grandes grupos empresariais, que lhe são devedores por facilidades obtidas em privatizações e grandes contratações de obras públicas.

Não, o risco que ameaça as pretensões do ex-governador de São Paulo é de natureza política e tem a ver com a possibilidade de que se passe com ele o que se passou com o político mineiro seis décadas atrás, cujos partidários abandonaram-no em favor da candidatura mais viável de Getúlio. Num processo bastante parecido com o que alijou o atual governador de São Paulo Geraldo Alckimin do segundo turno das eleições para prefeito em 2008.

Sinaliza esse desdobramento a forte aproximação já realizada entre seu possível maior aliado – o prefeito Kassab – e o ex-presidente Lula da Silva, com a troca de apoios mútuos em plano nacional para fazer do PSD repaginado do candidato exotérico Machado um partido de peso suficiente para servir de contrapeso à influência que tem hoje o PMDB e partidos menores no governo federal.

Sem indicar representante na chapa liderada por Serra à prefeitura e desconfortável por ter que perfilar ao lado do partido de quem é o principal adversário, o Democratas, Kassab não terá ânimo para colocar a máquina da Prefeitura, já depurada de tucanos, a serviço da candidatura do “amigo”.

Por outro lado, as dissensões produzidas para a escolha em prévias de um pseudo-candidato impactará de tal sorte a disposição da militância e de líderes comunitários do PSDB em atuar a favor do seu candidato, que tornará impraticável ao partido enfrentar nas franjas da cidade a onda da periferia para o centro mobilizada pela máquina partidária petista, a partir de seu entrelaçamento com os movimentos sociais de bairros.

Mas um fator decisivo para que a presumida cristianização de Serra venha ser consumada é a necessidade de que se identifique um nome para a chapa do candidato petista afinado o bastante com os setores mais conservadores da sociedade e que possa, ao mesmo tempo, desmobilizar o aparato religioso que tucano moverá contra a candidatura do PT.

Com a impossibilidade de que Henrique Meirelles, o ex-presidente do Banco Central, possa cumprir esse papel, fica cada vez mais clara a importância de Gabriel Chalita do PMDB para emprestar os músculos que faltam ao PT para vencer nos bairros mais ricos da cidade.

O novo cenário que se desenha para as eleições paulistanas, com a entrada de Serra na disputa, indica que o preço de uma composição com o PMDB embora alta deva ser pago. Dilma precisa sentar depressa com Temer para acertar o valor do passe de Chalita.