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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Flores do Mal




A última coisa que Serra precisaria que Aécio Neves fizesse seria declarar que ele, Serra, poderia voltar a ser candidato a presidente da República nas eleições de 2014.

A idéia por si mesma é mortal para o eterno candidato presidencial, porque vai em direção oposta à da convicção que busca firmar de que sua disposição de ser prefeito da cidade de São Paulo é desta vez para valer.

 Pois foi isso que o preferido do PSDB para disputar as próximas eleições com Dilma Russef em 2014 fez ao ser inquirido em entrevista ao jornal Folha de São Paulo sobre o nome que deverá representar o partido no pleito, em aparente desistência da disputa pública que trava pela indicação.

Matreiro, ao mineiro não interessa mais que Serra venha a sentar-se na cadeira de prefeito, já que de posse do cargo o paulista poderia fulminar-lhe, com articulações de bastidores, as pretensões de chegar ao palácio do planalto.

 Como Serra não depôs armas com o anúncio em alto e bom som de que abdica da disputa, a cria de Tancredo ministrou-lhe o letal veneno de insinuar que mais uma vez a prefeitura de São Paulo não será para o rival mais que uma passagem.

Pesou na decisão de Neves a avaliação do quadro político nacional, sugerido pelas últimas pesquisas de intenções de voto, que mostram a preferência majoritária dos brasileiros repartidas entre dois nomes petistas, o da presidente da República e o de Lula da Silva.

O episódio da entrevista, que não é mais que novo lance na disputa intestina que corrói a unidade do partido tucano, produzirá farta munição aos adversários do político de São Paulo cuja estratégia central de campanha consiste exatamente em mostrar que o mesmo prepara-se para dar novo passa-moleque no eleitor paulistano.

Aécio Neves deixou claro com a iniciativa que agora trabalha para o adversário de Serra nas eleições, Gabriel Chalita, não por coincidência ex-secretário e amigo de longa data do atual governador de São Paulo Geraldo Alckimin, a quem Serra abandonou nas últimas eleições municipais.

Se já enfrentava resistências nas bases do partido por haver atropelado o processo interno de escolha do candidato à disputa municipal, Serra agora enfrenta um movimento de cúpula para asfixiar-lhe a candidatura. Recolhe com isso as flores do mal a que deu semeadura em todas as eleições de que participou.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A tungada do pedágio urbano



Fiéis à tradição de desdizerem a cada propositura legislativa o que afirmam em discurso com relação à redução de taxas e impostos, os partidos aliados ao prefeito Kassab em São Paulo – Democratas e PSDB – tentam agora instaurar o chamado rodízio urbano.
Por essa nova legislação todos os veículos que adentrarem na área do centro expandido da capital, aquela zona compreendida entre as marginais e as avenidas que circundam os bairros mais centrais da cidade, deverão pagar uma quantia aos cofres municipais. Como o município possui sete milhões de automóveis, está evidente o que move as intenções dos legisladores municipais e as do prefeito que as emula.
Dizem que a expressiva coleta de recursos do contribuinte a ser amealhada com a obrigação destinar-se-á à instalação de infraestrutura necessária ao fomento do transporte coletivo. Nada mais falacioso, pois além da impossibilidade de fiscalizar a aplicação do que vier a ser recolhido com mais essa taxação, o município possui receitas mais que suficientes para contribuir com essa obrigação que não é prioritariamente sua, mas do Estado, de prover linhas de metrô, ferrovias e linhas de trens leves sobre trilhos.
Escudados no argumento de saneamento da qualidade do ar, o que os vereadores ligados aos dois partidos situacionistas na capital pretendem é fazer com que os proprietários de carro financiem a instalação de meios de transporte de massa que em mais de 20 anos os governantes no município e no Estado não foram capazes de prover, mesmo com as arrecadações recordes dos últimos 10 anos de bonança econômica.
Se vinham antes ensaiando meios ilegítimos de arrecadação baseados na indústria da multa e da inspeção veicular, agora os “inimigos dos impostos” atacam frontalmente os contribuintes do imposto sobre circulação de mercadorias, o IPVA, com uma taxa discricionária que ignora o direito constitucional de ir e vir de cada cidadão num quadro de ausência de transportes coletivos, em quantidade e qualidade necessária.   
 Na verdade, o que buscam prefeito e vereadores é atender a lobbies de empresas privadas prontas a oferecer os meios de controle  para que a medida venha ser implantada – como a empresa Controlar – e fechar ainda antes que se encerra a fracassada gestão de Serra-Kassab inúmeros contratos com empreiteiras amigas tendo por lastro as fontes de receitas propiciadas pela nova legislação.
Espera-se que os candidatos às eleições que decidirão quem será o sucessor de Kassab denunciem mais essa manobra de fim de gestão do antipopular prefeito e a ela não se acomodem, esperando com isso usufruir de vantagens fiscais espúrias à expensas da justiça tributária devida aos contribuintes paulistanos.

Como no tempo das diligências





A maior prova de falência da segurança pública numa sociedade é quando o banditismo deixa de atacar bancos e carros fortes e passa a atacar pessoas recolhidas a seus lares.
Quando o crime mais corriqueiro, que é o patrimonial, passa a ter como alvo condomínios inteiros e não mais residências isoladas ou indivíduos em lugares ermos, volta-se ao tempo das diligências.

Nos filmes de cowboy que tinham John Wayne como herói, quando uma cidade chegava a ser alvo indiscriminado de bandoleiros era porque a lei e a ordem haviam entrado em colapso e apenas a intervenção de um xerife federal seria capaz de restituir aos cidadãos a paz exigida ao progresso local.

Imaginar que bandos armados possam invadir prédios todos os dias na cidade de São Paulo munidos de arma de grosso calibre sem que as autoridades possam coibi-los evidencia a necessidade de uma intervenção externa que assegure às famílias a segurança mínima que lhes propicie a sensação de que vivam numa sociedade organizada.

A família, exaltada em verso e prosa por políticos conservadores, é ela mesma a parte mais exposta de uma população desassistida pelas políticas de segurança pública. Um assalto a uma agência bancária é prontamente repremida, com alarmes acionados diretamente nas delegacias. A invasão a um condomínio aguarda a disponibilidade para atendimento da guarnição mais próxima.

Afinal os bancos remuneram a polícia com prêmio e outras formas de recompensas legalmente vedadas. O abandonado contribuinte nada mais tem que a cédula de voto para selar seu protesto.

Equipa-se a polícia para tudo, da proteção ao patrimônio de empresas à repressão de indignados cidadãos. Mas não com policiais preparados para atuar no campo da inteligência para prevenir arrastões em residências, mapeando sistematicamente quadrilhas que, aliás, são as mesmas que diante da feroz repressão a agências bancárias migraram agora para a ocupação de prédios e bairros inteiros.

Pouco tempo atrás na avenida Paulista a polícia disparava gás lacrimogêneo contra pessoas que protestavam contra a corrupção. Mas não se vê as autoridades disparando uma ameaça contra a guerra civil que o crime move contra os brasileiros.

O Ponto G




O grande milagre operado pelas CPIs é que delas sempre emerge um gênio da lâmpada. Uma figura sem projeção política ou social que vem a público falar o que sabe, seja para livrar-se de acusações seja por raiva incontida dos antigos comparsas.

O mais célebre desses casos se passou com o ex-presidente Collor quando, a tantas do surto de denúncias que atingiam a credibilidade presidencial, apareceu um motorista de nome simplório cujo testemunho rearranjou de tal sorte as peças do quebra cabeças de acusação que produziu o ímpeto moral para o desfecho da cassação.

No caso da CPI criada para investigar a infiltração da organização criminosa de Carlinhos Cachoeira nas instituições de Estado, essa figura que fará ruir o castelo de histórias prontas com as quais os grupos dedicados ao crime organizado montam seus álibis coletivos já tem nome, é Geovani Pereira.

O senhor G. foi contador da organização de Cachoeira e como tal geriu pagamentos a pessoas e as empresas no valor de 39 milhões de reais, 16 milhões apenas nos últimos dois anos. Conhece toda a trama de relações em que se suportava as atividades do grupo, as fontes de ingressos e as formas de circulação do numerário que deveria gratificar funcionários públicos e autoridades sem deixar rastros.

A colaboração do informante já está assegurada pela Polícia Federal em troca de benefícios penais no âmbito do que é chamado de delação premiada e seu paradeiro é mantido em sigilo a fim de garantir sua integridade.

O interessante a nota-ser sobre o surgimento desta testemunha chave é que a CPI que agora se inicia possui, de saída, todos os elementos necessários à obtenção de resultados concretos na identificação de colaboradores e integrantes do esquema dentro e fora das instituições oficiais. Além da massa de informações já arregimentadas em inquérito pela polícia, uma hegemonia política clara, agora também um denunciante privilegiado porque conhecedor da organização criminosa desde dentro.

O líder do PMDB na Câmara, deputado Raupp, em considerações recentes sobre a CPI disse que seus trabalhos seriam prolongados e sangrentos. Talvez caiba aí um pequeno reparo, sangrenta sim, mas rápida como nenhuma outra CPI talvez o foi.    

  

terça-feira, 24 de abril de 2012

O pedido de armistício da oposição

A sociedade Globo – Folha de São Paulo expôs em editorial do jornal Valor Econômico desta segunda feira, 23 de abril de 2012, o temor que comentaristas e articulistas vem exibindo de maneira velada nos telejornais e matérias de jornais das duas empresas jornalísticas.

A preocupação é com os rumos que possam tomar a Comissão Parlamentar de Inquérito Mista instalada no Congresso para averiguar os crimes do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Um rumo orientado a acuar a oposição ao governo que, como diz o artigo, encontra-se severamente exposta com o envolvimento do senador pelo partido dos Democratas Demóstenes Torres, chamado de lobo em pele de cordeiro, e do governador tucano de Goiás Marconi Perillo.

De modo diferente do que faz nos textos produzidos para o grande público, neste, dirigido ao empresariado, o jornal de parceria do conglomerado Globo – Folha mal cita a empresa que nos demais veículos de sua propriedade é apontada como o principal alvo das investigações da CPI, a construtora Delta.

Sensível à percepção do público qualificado a que se dirige, o jornal sabe que não pode fazer descarregar sobre uma empresa privada, que por dever de ofício deve relacionar-se com governantes e políticos, toda responsabilidade por um escândalo de natureza política que tem em seu epicentro um senador e um governador. Tiveram de aceder à inteligência desse leitor, reconhecendo o dado irrefutável de que os negócios de Cachoeira objetivavam não atividades produtivas, mas ilicitudes nenhum um pouco empresariais.

Foram além, os acovardados editorialistas. Reconheceram finalmente os aspectos inéditos que cercam a constituição da CPI: o fato de ter sido subscrita por 90% de senadores e 75% de deputados assim como o fato de que a gravidade dos acontecimentos impôs ao parlamento o exercício de seu dever constitucional de investigar ameaças às Instiuições. Coisa que a mídia não tinha feito até então.

No mais, reconhecem, nisso que é um verdadeiro texto de constrição moral, a circunstância de que o governo dispõe da faca e o queijo para fatiar a oposição, desta feita pilhada em malfeito. Pedem apenas, em nome dos aliados de todos os dias, que o governo não exorbite de sua força e da razão política que lhe assiste e não pense em revanche, mas apenas “nas demandas da sociedade pela moralização da coisa pública”.

Abaixo a íntegra do pedido de armistício que a oposição dirige ao governo por meio do diário Valor Econômico.


O risco que corre a CPI é ser tomada pelo revanchismo
Editorial do jornal Valor Econômico de 23/04/2012

Após marchas e contramarchas, o Congresso finalmente criou, e deve instalar nesta semana, a CPI para investigar os negócios do empresário Carlos Augusto Ramos, mais conhecido, no mundo da contravenção, como Carlinhos Cachoeira.

Trata-se de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito pouco convencional. Em primeiro lugar, porque inverteu a lógica das CPIs, em geral requisitadas pela oposição para apurar desvios de conduta do governo. Neste caso, em particular, o PT e, em certa medida, o governo, por meio de seus ministros petistas, foram, respectivamente, os principais patrocinadores e incentivadores da CPI do Cachoeira, como já é chamada a comissão mista de inquérito.

Inédito e sugestivo, também, é o apoio dos partidos: 90% dos senadores e 75% dos deputados subscreveram o requerimento para a criação de uma CPI que se tornava mais inevitável à medida que conversas telefônicas, gravadas com autorização judicial pela Polícia Federal, exibiam as vísceras do relacionamento de Carlos Cachoeira com o senador Demóstenes Torres, à época no Democratas, um lobo travestido de cordeiro que vestia com naturalidade o figurino imaculado de arauto da moralidade.

As operações da PF também chegaram bastante próximo do governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, e colocaram no olho do furacão a empreiteira Delta Construção, uma das principais executoras de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a empresa que mais recebeu recursos do governo federal nos últimos três anos.

Diante de tantas evidências, era natural que o Congresso procurasse exercitar seu poder constitucional de fiscalização. Mas ninguém deve se iludir: o apoio quase unânime dos ilustres parlamentares à CPI deve-se mais à indignação da sociedade com o pouco caso com que a coisa pública vem sendo tratada no país do que ao interesse de expor à luz do sol traficâncias que deixam expostos os principais partidos políticos, governistas e da oposição.

Indignação cuja expressão maior é a Lei da Ficha Limpa, que veio para ficar, conforme deixam claro as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) referentes à sua aplicação nas eleições de 2010, assim como os milhares que protestaram nas ruas contra as candidaturas fichas-sujas.

A história passada das comissões de inquérito, no entanto, não recomenda otimismo. O senso comum, segundo o qual CPI "dá em nada" é mais que uma percepção, trata-se de uma realidade já medida em números pela professora Argelina Ferreira, pesquisadora do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj).

Em dois períodos democráticos, de 1946 a 1964 e de 1988 a 1999, foram propostas a criação de 392 comissões de inquérito. A contabilidade final indica que 303 (77%) foram efetivamente instaladas, 207 concluídas e 89 (23%) nem sequer saíram do papel. Há mesmo casos em que o governo propõe CPIs apenas para se antecipar à oposição e preencher o número limite de comissões de inquérito autorizadas a funcionar no período.

Em geral, os governos conseguiram sucesso na empreitada de manter as CPIs sob controle, segundo a pesquisa de Argelina, especialmente quando utilizaram com eficácia os instrumentos institucionais a seu dispor para superar a dissenção entre os integrantes da coalizão de apoio ao inquilino de plantão no Palácio do Planalto.

Não é preciso ir longe: já no período do PT, o governo desidratou com eficiência a CPI da Petrobras, em sua parceria amplamente majoritária com o PMDB. Esta aliança também constitui o eixo de maioria governista na CPI do Cachoeira.

Resta saber se essa maioria será usada para o bem, nos termos da vontade manifesta das pessoas que assinaram a proposta da Lei da Ficha Limpa, mais de um milhão, e daquelas que protestaram nas ruas contra a corrupção, ou para enveredar pelos caminhos tortuosos do lado escuro da força. O começo não parece promissor: os partidos indicaram para compor a CPI políticos com pendências na Justiça, fichas-sujas reconhecidos que só assumiram porque a Ficha Limpa não valeu para as eleições de 2010. Mas o risco maior que ronda a CPI é de ela ser tomada pelo sentimento de revanche sinalizado pelo PT, em vez de atender às demandas da sociedade pela moralização da coisa pública.








segunda-feira, 23 de abril de 2012

Um sujeito infame




Cláudio Humberto, o capanga de Collor na imprensa, está plantando boatos de que Lula recebe tratamento privilegiado no hospital Sírio Libanês em São Paulo. Chega a dizer que o presidente fura a fila formada por outros pacientes a fim de ser atendido na frente dos demais.

Dá para imaginar pelo factóide plantado pelo quadrilheiro Humberto o presidente Lula chegando ao hospital logo cedo,  cercado de seguranças que intrometem-se na fila de enfermos para colocar sob protestos o distinguido paciente diretamente na sala do doutor de plantão naquela manhã.

Nada mais falso para quem conhece a realidade de um hospital. Em terapias complementares `a supressão de tumores, como a que se submete Lula, os horários são marcados com antecipação e nenhum paciente aguarda em fila para ser atendido. Sobretudo no mencionado hospital, considerado um dos melhores do País e que prima pela qualidade do atendimento.

Mas quem é a pessoa que pratica tamanha maledicência? Antes uma breve estória. Quando estive em Alagoas nas férias de janeiro ,  numa praia chamada Barra de São Miguel,  deparei-me numa tarde com o fechamento da orla para que fosse montado um palco destinado a um show .

Expulsos os banhistas e instalado o salão ao ar livre, o som das guitarras prosseguiram madrugada a dentro impedindo milhares de turistas de dormir. No dia seguinte deu-me de perguntar qual o motivo da festança e soube que o coronel Cláudio Humberto casava a filha.

Esse é quem acusa Lula com uma estória inverossímil: o fariseu que dispõe de uma praia inteira para demonstrar seu poder nas Alagoas e que tendo sobrevivido `a queima de arquivo feita com a turma de PC Farias, o caixa de Collor, anda agora impune disfarçado de jornalista pelos esgotos de Brasília.


domingo, 22 de abril de 2012

Datafolha: tempestade sobre a cabeça de Serra


Está fechando o tempo sobre Serra na disputa à prefeitura Paulistana. Dois dados colhidos da mais recente pesquisa Datafolha desta última semana de maio mostram um quadro preocupante para a almejada vitória do candidato.

O menos grave deles, ainda que perturbador aos que suportam a candidatura do ex-governador, é o fato de que Dilma bateria o cabeça de chapa tucano por 56% a 21% se as eleições presidenciais fossem hoje.
Mesmo considerando que os números refiram-se ao País como um todo e não exclusivamente a São Paulo, é de supor-se que haja diferença igualmente ampla a favor da presidente no município.

A vantagem da presidente vis-à-vis seu ex-contendor é tão mais preocupante para Serra quando levado em consideração que também nesta pesquisa a mandatária alcança elevados 64% de índice de ótimo e bom entre os eleitores, sendo pelo menos 55% entre os extratos sociais com renda superior a 10 salários mínimos e com nível superior de escolaridade, exatamente o segmento junto ao qual o PSDB tem sua fatia mais fiel de votantes.

Faz soar todas as sirenes do palácio dos bandeirantes, no entanto, outro dado ainda mais relevante para as pretensões tucanas de que o partido volte ou mantenha-se - como é o caso – no comando da prefeitura de São Paulo: a preferência de 60% de eleitores de Serra por Dilma Russef numa eventual nova eleição.

O número é coerente com o de outras pesquisas que haviam colhido o mesmo movimento de migração de preferências, entre o eleitorado tucano do ex-governador, para a presidente da Republica.

Como Dilma Russef será um dispositivo importante na campanha do candidato Haddad na campanha que se aproxima, há muito que temer diante da hipótese de reprodução de um segundo turno das eleições presidenciais agora em São Paulo, cujo desfecho a pesquisa publicada parece antecipar.

O tempo fecha literalmente sobre o acuado Serra, sobretudo se outra revelação da pesquisa for também computada às tendências de voto das classes altas: a do eleitorado de baixa renda, que disse preferir na proporção de 57% a 32% a candidatura de Lula para presidente da República ao invés de Dilma.

Sendo Lula o dispositivo principal do candidato Fernando Haddad, que contará também com Dilma em palanque, Serra vê-se na contingência de ou sair correndo na tempestade que se aproxima e ser arrastado pelas águas do voto popular ou então permanecer escondido nos bairros nobres da cidade e ser eletrocutado ali mesmo pela alta vontagem do raio do voto escolarizado.  


sábado, 21 de abril de 2012

Veja faz propaganda de hormônios


Quando a discriminação está no DNA de uma publicação não adianta escondê-la.  A humanidade que teve na inteligência de homens e mulheres de baixa estatura o aporte de grandes contribuições à ciência e às artes, não pode resignar-se quando supostos argumentos científicos são mobilizados para estigmatizar a diferença.

A revista Veja vem de estampar em sua capa jocosa imagem que sugere ser a vida melhor para quem é mais alto. Esquecida de seu papel de contribuir com o apagamento de diferenças culturalmente estabelecidas, que bem poderiam ter tido origem nos primórdios das cavernas, a publicação volta ao tempo do nazismo e brinca com algo que trouxe a família de seu fundador ao Brasil, o escárnio dos autoproclamados maiores e normais.

Com isso vilipendia a memória de todos aqueles que não chegando ao 1,70 m de altura legaram inestimáveis contribuições aos pósteros, ao mesmo tempo em que amplia o sentimento de diminuição social daqueles que não foram favorecidos em nossa sociedade altamente discricionária com a sorte de terem nascidos fortes e esteticamente bem dotados.

Mas há uma coisa que os inescrupulosos editores de Veja não dizem para seus leitores. Que a matéria de capa presta-se a fazer mechandising, ou propaganda dissimulada, de drogas e tratamentos médicos a base de hormônios e fatores de crescimento que teriam o condão de restituir aos atingidos pela ”reportagem” a estatura que gostariam de possuir para serem aceitos e bem sucedidos nos ambientes sociais nos quais interagem.

Não terá sido a primeira vez que a revista dissimula interesses comerciais em interesses científicos, como o demonstra a promoção que fez recentemente de droga não aprovada pelas autoridades sanitárias para a perda de peso. Mesmo que ao preço de riscos severos à saúde de leitores menos avisados que desconheçam as implicações de tratamentos com drogas de efeitos não estudados para grandes grupos populacionais, do tipo dos alcançados pela revista.

No caso específico dos hormônios e fatores de crescimento, resultados de pesquisas facilmente acessadas pela internet demonstram a associação dos mesmos com diferentes modalidades de cânceres e distrofias.

Se a revista tudo faz para vender, cumprindo o papel de instrumentoa serviço de grandes laboratórios farmacêuticos, onde estão as autoridades de saúde que não veem a público condenar abertamente essa ignomiosa  campanha de medicalização das diferenças em detrimento da diversidade e da segurança médica da população?


CPTM, brincando de trenzinho


Os trens em São Paulo param e a culpa é dos usuários. Isso é o que afirma o governo do Estado para quem atos de vandalismo seriam responsáveis pelas recorrentes paralisações do sistema de transporte ferroviário na região metropolitana com demanda de mais de 7 milhões de passageiros ao ano.

As afirmações do secretário dos transportes Jurandir Fernandes reproduz um padrão conhecido de justificativas das autoridades estaduais para deficiências nos transportes públicos quando é chegado o momento das eleições. Vestem o problema de fantasias.

Desta vez apareceu nas hilárias explicações do secretário uma calça jeans que teria desligado o trem da rede elétrica. Um caso semelhante ao do episódio da blusa vermelha a que atribuíram a paralisação dos trens do metrô às vésperas das eleições estaduais passadas, depois desmentido pela polícia após criteriosa investigação no guarda-roupa da companhia de trens CPTM.

O fato que as autoridades não assumem é o de que depois de 20 anos de governos comandados pelo PSDB, a ausência de planejamento global dos efeitos de medidas pontuais adotadas para atender ao aumento da demanda por transportes sobre trilhos na cidade continua uma constante.

Não há integração na maneira de conceber-se o transporte sobre trilhos. Ao aumento do número de estações do metrô, ao estabelecimento do bilhete único e aos vetores de ocupação do solo urbano não se fizeram acompanhar investimentos em infraestrutura ferroviária que suportassem o perfeitamente previsível aumento da procura por transporte ferroviário.

O resultado tem sido que algumas estações de trens já não suportam qualquer aumento do número de passageiros, abarrotadas que estão nos horários de maior movimento. Sem linhas de metrô que cheguem aos pontos extremos da cidade e com itinerários de ônibus de tipo pinga-pinga que levam passageiros apenas aos acessos do metrô, sobrecarregando as estações de transbordo para as linhas ferroviárias, todo o sistema sobre o qual se assenta a mobilidade da cidade encontra-se em vias de colapsar.

Mesmo tão próximos governador e prefeito, a ponto de lançarem chapa comum para as eleições municipais, não são capazes de entender o que até uma criança brincando de trenzinho pode entender: não é possível que num plano – o municipal – as autoridades estimulem o uso do automóvel banindo ônibus fretados e encurtando linhas, e, noutro plano – o estadual – as autoridades optem por postergar investimentos em reforço e ampliação da infraestrutura de atendimento ao usuário de trens metropolitanos, a começar por energia e controles automatizados.

Diante de tamanha incapacidade de preparar uma das maiores cidades do mundo para a era pós-automóvel, governantes tão pródigos em desculpas por suas falhas bem poderiam usar as peças de roupas encontradas nas sabotagens alardeadas para finalmente apresentarem-se ao público, em outubro próximo, como de fato são vistos: palhaços a espera de um chute no traseiro.


sexta-feira, 20 de abril de 2012

Governador tucano nas asas da contravenção




Revelações quentíssimas vindas dos diálogos travados entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e seu principal assessor, o ex- vereador Wladimir Garcez, mostram que o bicheiro e o governador tucano de Goiás Marconi Perillo são sócios de um jato Cessna no valor de 5 milhões de dólares.

A aeronave era usada alternadamente por familiares do governador e integrantes da quadrilha liderada por Cachoeira, principalmente na rota Goiânia – Brasília, eixo do qual se irradiava para o restante do País as práticas de chantagem contra fornecedores do governo Federal e funcionários públicos, ligando numa ponta o gabinete do governador e na outra o gabinete do “impoluto” senador  Demóstenes Torres.

Conversas gravadas também entre o gangster Cachoeira e sua mulher permitem inferir que o uso da aeronave era de quem chegasse primeiro ao hangar. Segundo as gravações, Cachoeira diz para mulher quando consultado sobre a disponibilidade do avião: “é só chegar lá e pegar”.

As informações são esclarecedoras do tipo de relação que mantinha unidos o criminoso e o governador. Evidente que o governador não pôs dinheiro na compra do avião. Trata-se de uma sociedade pró-forma em que a contribuição do governador deu-se em espécie na forma de favorecimento em contratações e nomeações de membros da quadrilha com dinheiro do tesouro.

Não tardará a ser descoberto que da mesma forma que governador e Cachoeira partilhavam a propriedade de um avião – no que concerne ao governador, em nome de laranjas – dispunham também de fazendas e imóveis fora do País. A iminente quebra de sigilo do “gordinho”, codinome do politicamente agonizante Demóstenes, mostrará também sociedades cruzadas de patrimônio entre representantes do bicheiro e do senador.

Bem-vindos ao festival de revelações do condomínio tucano-democrata-contraventor.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Oposição flertou com Al Capone


Sem bandeiras, o movimento anticorrupção criado nos laboratórios da oposição ao governo Dilma exaspera-se. 

O afastamento de sete ministros sobre os quais pairavam dúvidas quanto a desvio de conduta e, mais recentemente, as operações da Polícia Federal que lancetaram o tumor formado pelo principal veículo de comunicação das oposições - a revista Veja - e  seu braço criminoso,o grupo de extorsão comandado pelo vulgo Carlinhos Cachoeira, inverteram a iniciativa no combate à corrupção.

Antes, grupos ligados aos 2 principais partidos de oposição pensavam haver encontrado o ovo de Colombo para marcar o governo legitimado pelas eleições de 2010 com a pecha da conivência com a corrupção. Achavam que a continuidade do coaxar em torno do mensalão seria o bastante para a criação de um estigma político que levaria o governo à defensiva perante a opinião pública.

Mas, como no bordão do anti-herói mexicano Chapolin, não contavam com a astúcia da presidente que, a par de estabelecer uma linha de conduta ética rigorosa em seu governo, manteve também os amplos poderes de investigação de que dispunha a Polícia Federal, vindo com isso – a um só tempo – colocar-se em sintonia com a opinião pública e a desbaratar o dispositivo de chantagem política montado pelas oposições.

Esse esquema fundava-se no tripé  representado pela crítica parlamentar exacerbada, reportagens bombásticas na mídia e a forja de elementos incriminatórios pelo  crime organizado. Massacrada no embate democrático, com a fuga maciça de deputados para os partidos da base de apoio ao governo federal e o esvaziamento do discurso de acusação à incompetência administrativa, à oposição não restou alternativa senão os discursos morais inflamados, lastreados nas manchetes semanais da revista Veja a partir de informações fornecidas por chantagistas.

Como tudo aquilo que na disputa política não é sustentável se não estiver escorado pela vontade popular, mostrou-se insustentável também a indústria de denúncias que a oposição montou com o apoio da revista Veja e os criminosos egressos do governo tucano de Goiás, liderados pelo contraventor Carlos Cachoeira.

Ainda não se deram conta os principais partidos de oposição que por mais malabarismos que façam para esconder o uso de prática criminosa, não conseguirão impedir que a CPI que se instalou no Congresso apara apurar os ilícitos de Cachoeira tragam à tona os métodos a que recorreram diante da perda de representatividade política.

 A queda do tripé oposição, Veja e crime organizado levará consigo também os movimentos artificiais urdidos para cobrar ação mais incisiva do governo federal. Não passa despercebido a ninguém que, diante do rigor das investigações postas em prática pelo governo, tais movimentos de poltrona omitam-se quando deveriam no mínimo reconhecer-lhe o mérito, como fez recentemente a secretária de estado norte-americana Hillary Clinton em recente visita ao País.    

Com o fenecimento do alarido das suas claques também a oposição a Dilma terá seu poder de fogo ainda mais diminuído ao término da CPI para investigar o que estava por detrás dos crimes da revista Veja e do contraventor Carlos Cachoeira, porque ficará revelado ao País que foi ela mesma ,ao final, a principal beneficiária dos crimes praticados.

Veja e seu dono sem escrúpulos


A regra número um de qualquer ofensor é passar-se por inofensivo. E a melhor forma de fazê-lo é vestir a máscara do probo. Daí talvez a hipocrisia ter-se instalado como traço mais marcante do caráter nacional, a ponto de Nelson Rodrigues ter visto no discurso de zelo da ordem familiar o biombo para toda espécie de transgressão daquilo que é ético e justo.

Esse parece ter sido o caso patriarca Victor Civitta, empresário do ramo editorial, cujo nome de família constitui ele mesmo dissimulação um dia necessária às perseguições que sofreram famílias vindas de uma Europa conflagrada pelos crimes de ódio aos que vergassem nomes judeus.

Estranhamente, trazendo no nome a marca de resistência à discriminação – como o trazem também os Mesquita e os Frias dos jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, respectivamente – Civitta fez da perseguição o principal meio de promoção da sua principal publicação, a revista Veja.

Não o fez, porém, por apego à convicções do que pudesse ser melhor para o País onde sua ascendência e ele próprio receberam democrática acolhida para poder prosperar. Expôs à execração pública cidadãos como ele apenas pelo estratagema que lhe permitisse manter a tona suas principais publicações em circunstâncias desfavoráveis de negócio.

Não agradou ao magnata Civitta que governos populares tenham alterado a dinâmica de domínio do grande capital sobre as decisões econômicas do Estado, como nos tempos do governo liberal de Fernando Henrique Cardoso, que lhe carreava às empresas vultosas somas com anúncios e matérias patrocinadas por poderosos lobbies do capital transnacional.

Agradou-lhe menos ainda a perda de influência sobre as instituições públicas e os governos estaduais das forças políticas identificadas com o enfraquecimento do papel do Estado na economia, que trouxeram consigo também perda de comando sobre verbas publicitárias de grandes fornecedores do setor público.

A migração de leitores da mídia impressa para meios alternativos de comunicação eletrônica só fez por agravar a debilidade financeira das revistas de Civitta. A fraqueza política das oposições contribuiu com outro tanto das dificuldades para que o capitão das comunicações decidisse oferecer serviços de panfletagem política ao principal partido político das oposições ainda no controle de dois importantes estados da federação, Minas e São Paulo.

Foi assim que o grupo Abril obteve milionários contratos com os governos dos estados de São Paulo e Minas Gerais, na forma de compra sem licitação de publicações – dentre essas a revista Veja – para distribuição entre usuários e prestadores de serviços públicos. Mais recentemente a empresa obteve, pelo mesmo meio da troca de favores, espaço gratuito para a veiculação de programas na emissora de TV estatal paulista.

O passo mais ousado estaria ainda por vir, nas saídas buscadas pelo empresário para tirar seus negócios do atoleiro em que os colocara as novas situações de política e de mercado do País. Civitta ordenou a empregados lotados em Brasília, à altura da metade do primeiro mandato de Lula da Silva, que buscassem no crime organizado, atuante em diferentes esferas do governo federal, informações que permitissem às revistas controladas pelo grupo constranger funcionários públicos a direcionarem empresas contratadas para anunciar nos periódicos do Grupo Abril.

Para que a fórmula baseada na intimidação funcionasse era necessário instalar verdadeiro clima de terror com relação à possibilidade de denúncias, de sorte a levar agentes públicos a preferirem antes negociar com o clã dos Civitta que explicarem-se perante órgãos de auditoria do governo federal.

O escândalo do chamado mensalão, que quase levou a um golpe branco contra o governo de Lula da Silva, nada mais foi que um efeito colateral da associação criminosa que mantinham Veja e o grupo do contraventor Carlos Cachoeira. Uma fagulha provocada pela chantagem dos parceiros atingiu o então deputado Roberto Jefferson ateando fogo ao paiol do Congresso majoritariamente de oposição.

A editora ganhava de dois lados. Por um via garantidos anúncios de fornecedores de órgãos e empresas públicas, temerosos de terem o nome de suas empresas envolvido com as denúncias de Veja. Por outro, ao atender a oposição com acusações graves contra importantes figuras da República, criava condições para a cobrança de faturas pelos serviços políticos prestados.

Uma larga avenida em declive só poderia redundar ao final em acidente fatal. Os negócios de Civitta, conduzidos em alta velocidade mediante uso farto da extorsão e chantagem, colidiram com uma nova institucionalidade que vem de firmar-se no País para a proteção dos interesses de Estado, fundada na auditoria técnica da Controladoria Geral da União e nas investigações criminais autônomas da Polícia Federal.  

O rosto sulcado de Civitta, quando convocado pela CPI que o Congresso Nacional acaba de instalar, será mostrado em todas as televisões do mundo como a face mais perversa de certa mídia que faz da liberdade de imprensa arma para alavancar negócios, em detrimento das instituições maduras e confiáveis que países em rota de desenvolvimento como o Brasil esforçam-se por edificar.




sábado, 14 de abril de 2012

Veja: a revista bandida

Que legitimidade tem a revista Veja para afirmar, em sua última edição, que a investigação do crime organizado por parte de uma CPI constitucionalmente formada possui a finalidade instrumental de encobrir um escândalo político, no caso o chamado "mensalão"?

Absolutamente nenhuma. Pelo simples fato de que Veja é alvo das investigações que agora tomam curso para esclarecer o porquê de Cachoeira e seu bando desfrutarem de tamanha proteção junto a setores da mídia, em particular junto ao  periódico da editora Abril.

E já se sabe que Veja colaborou com o gangster Carlinhos Cachoeira em crimes de chantagem e extorsão contra autoridades públicas a fim de atrair para suas páginas anúncios de empresas fornecedoras do governo federal e remunerar-se, por serviços prestados à oposição, com farta publicidade e benesses das gestões estaduais comandados pelo PSDB.

Como o demonstra a compra em São Paulo de milhões de exemplares da revista para a rede estadual de ensino sem concorrência pública e agora a cessão gratuita de espaços para sua editora na grade da emissora estatal Rádio e Televisão Cultura.

Com Carlinhos Cachoeira e seus agentes incrustados na máquina pública, Veja estimulava e depois divulgava as ações de suborno, que serviam para conseguir vantagens creditícias em bancos públicos e negócios com autoridades da esfera estadual, sem falar nos milhares de exemplares vendidos de suas revistas com o que era apresentado como furo jornalístico.

As fontes de Veja eram homens a serviço do crime organizado. Gravações autorizadas pela justiça mostram o próprio capo Cachoeira afirmar que todas as matérias de repercussão do semanário foram patrocinadas por sua quadrilha.

Compreende-se que Veja se valha agora do último recurso que tem à disposição para descaracterizar a forte suspeita que paira sobre a finalidade e a natureza do jornalismo que realiza: afirmar que a própria ação pública saneadora das instituições possui propósitos escusos e desviantes.

Para a revista seria admissível que a infiltração do crime organizado se aprofundasse desde que não fossem tocadas as fontes ilegítimas de suas manchetes pré-fabricadas. Isso porque era ela própria a arma mais eficaz de que dispunham os corruptores para atemorizar funcionários corrompidos e amolecer parlamentares e o judiciário para que dessem forma a uma normatividade que favorecesse as ilicitudes da organização.

Não bastou `a Veja bajular Dilma para impedir que as ações da polícia federal viessem a público. Como não terá efeito a versão que agora busca dar circulação entre aliados na mídia que Dilma é contrária à radicalização da CPI. Entenda-se como radical a convocação do chantagista Roberto Civitta para depôr coercetivamente sobre os meios de que se valia para manter viável seu negócio.

Agora o pasquim da imprensa marrom, que levantava a bola para que outros de cara mais limpa na mídia pudessem forjar consensos condenatórios em torno de pessoas e autoridades, naquilo que passará à história como indústria da difamação, sentará onde deveria ter chegado há muito mais tempo: o banco dos réus.  

                    


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Rebola-Bola no caso Cachoeira


Quando Gretchen entrava nos auditórios todos sabiam o que esperar. Quando os “gogo-boys” das TVs e jornalões entram em cena é sempre para esconder com o rebolado a falta do que dizer.

Pegue-se o caso da CPI do Cachoeira, que é o maior esforço de moralização das instituições brasileira desde a CPI do Collor, porque nem ali as instâncias de Estado estavam de tal sorte instrumentalizadas pelo crime organizado como estão agora.

 Muito mais que as instituições de Estado: pois a revista Veja não teve um de seus mais expressivos nomes – Policarpo Junior, chefe de redação em Brasília – pilhado em crime de chantagem contra autoridades públicas, negociando com agentes do tal Cachoeira matérias de capa para suas edições dominicais?

Mesmo num caso de tamanha relevância para o enfrentamento do que pregam todos os dias, os meninos de programa dos jornais Folha de São Paulo e da Rede Globo insistem em desqualificar o assalto do crime organizado contra o Estado brasileiro, representado pelos negócios de Cachoeira, fazendo-o passar por mero barulho criado pelo governo para esconder o que chamam de mensalão.

Sim, o que chamam de mensalão: aquela prática de atendimento a chantagens de congressistas iniciado no governo Fernando Henrique, que lhe garantiu um segundo mandato e que agora corajosamente Dilma Russef vem extirpando das relações entre legislativo e executivo brasileiro.

Não querem que o destemor de Dilma chegue mais longe nem que a maioria parlamentar do PT venha ser instrumento de moralização das instituições públicas. Pretendiam que essa bandeira fosse exclusivamente deles, a fim de aproveitá-las nas eleições como compensação a esterilidade dos governos que integraram no passado recente do País.

Como responder ao fato inconteste de uma nação que se deslocou da 11ª posição das maiores do mundo para a 6º? Como pleitear a volta ao poder se a terça parte dos eleitores foi promovida a cidadãos de primeira classe, quando se dizia que a ignorância governaria o Brasil com o governo de Lula da Silva? Como atenuar o deboche com que foi recebida a pretensão de se fazer pela primeira vez a aviltada mulher brasileira dirigente máxima do País depois dela granjear quase 80% de apoio na sociedade, de acordo com recentes pesquisas de opinião?

Não tinham respostas, por isso foi preciso inventar um diabo, a corrupção, que combinaram ter nascido quando os representantes das classes altas desceram a rampa do Planalto. Com a esconjuração desse demônio pela presidente da República, viram desmontada a máquina de escândalos que lhes permitiu produzir barulho em substituição ao contraditório democrático a que estavam obrigados, como oposicionistas, em favor de todos os brasileiros.

A CPI da Cachoeira põe o rebola-bola em cena porque deixa às claras que a oposição vive de dissimulações, que o seu propagandista da “ficha limpa” integrava uma quadrilha criminosa de jogos e prostituição, que o governo tucano em Goiás é gerido na verdade pelo capo Carlos Cachoeira.

Rebolem então os fariseus da não-política, porque a plateia de 150 milhões de eleitores querem muito mais que o balançar nádegas apertadas em panos. Querem moralidade verdadeira e não de faz de conta.


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Trajetórias opostas

Seguem trajetórias opostas os dois postulantes à presidência da República nas eleições de 2010. Dilma viu sua aprovação junto ao eleitorado saltar do pouco mais de 50% naquele momento para algo próximo dos 80% agora.

O que aconteceu para que a eleita superasse em prestígio seu patrocinador, o presidente Lula - ele mesmo com índices bem inferiores em momento equivalente de seu segundo mandato - e se pusessse em rota inversa de bem-querência à experimentada por seu oponente no pleito passado ?

O fato decisivo é que o povo está gostando de ser governado por uma mulher. Em que pesem os arroubos de preconceitos abertos de muitos nas classes altas e velada de alguns na mídia, o jeito austero e parcimonioso em palavras de Dilma reforçou no imaginário popular a ideia da mãe enérgica que guia seus filhos.

A fonte original desse mito repousa na tradição católica. O culto a Maria é mais poderoso do que pode supor a ciência política e também as denominações cristãs. A mãe privada do filho pelas forças do império é um arquétipo forte demais para que não seja revivido na saga da militante política torturada ao modo de Cristo.

Na fundação da nacionalidade o amor a Isabel, a princesa a quem negros e mestiços atribuíram um dia a quebra dos grilhões atados pela coroa, deu origem a um sentimento de orfandade nunca atenuada pelo paternalismo, fosse de Pedro II fosse de Getúlio.

Ancestral tem sido na formação do caráter nativo o sentimento de destituição do amor materno. Os tupis contavam que da impossibilidade de união entre o pai e a mãe primordial, o sol e a lua, redundara tamanha tristeza que do pranto da mulher nasceu o rio e o mar, fonte infinita de provisões a seus filhos privados de celeste lar.

A confiança na mãe rediviva se vê confirmada na imprecação que dirige a presidente aos mandatários europeus contra a falta de atenção que os ricos do mundo dispensam aos pobres, na ação protetora expressa pelo afastamento sumário dos que buscam se apropriar na gestão do Estado daquilo que é reservado aos que necessitam, nas benesses que espalha aos despossuídos mediante programas sociais como o “minha casa minha vida”.

Serra, ao contrário, segue em trajetória oposta de declínio. Teve a infelicidade política de ter sido marcado no inconsciente popular como o principal inimigo dessa mulher, meia mãe meia heroína, que venceu a arrogância de quem julgando-se preparado para batalhas épicas não foi capaz de evitar uma campanha de sórdida exploração do que há de mais caro ao sentimento feminino, a maternidade.

Uma marca que, aliás, chamou para si ao revelar-se o negativo do campeão que pretendeu ser, apedrejando a dignidade feminina como fizeram os romanos com as mulheres dotadas de vontade política no início da cristandade. Por essa razão não será perdoado pelos filhos do Brasil que honram e admiram a figura da mulher que expôs a vida a risco no combate pelos seus.

Na rota de apequenamento em que se colocou, Serra chegou à estatura moral de um rato que, após haver se refugiado na disputa à prefeitura de São Paulo, deverá ao final ser esmagado.




quarta-feira, 4 de abril de 2012

Gilmar, Demóstenes e Perillo: CPI já!



Nada mais pernicioso para o regime democrático e a promoção do desenvolvimento do País que o controle do aparelho de Estado pelo crime organizado. 

A instrumentalização criminosa das instituições impede que as legitimas demandas da sociedade encontrem expressão em atos e políticas públicas enquanto o jogo de barganhas inerentes `a prática do crime dissipa recursos públicos e afasta indispensáveis investimentos internacionais.

A corrupção tem na ação de grupos que operam negócios ilícitos desde dentro do Estado fonte permanente de alimentação. Muito embora o agente público ou o político inescrupuloso sirvam de esteio `a práticas lesivas ao interesse público, é a captura das instituições estatais por organizações que atuam a margem da lei a força insidiosa responsável pela drenagem do civismo e perda de perspectiva ética dos que queiram opor-lhe resistência.

Por tratar-se de questão da maior relevância para os resguardo das funções de Estado,  a investigação dos meios e recursos de que se valem organizações ilegais nas suas operações no interior dos poderes da República deve possuir não apenas caráter permanente, com base em operações policiais, senão que extraordinário por intermédio de instrumentos horizontais de apuração dotados de poderes outorgados pela Constituição Federal.

A comissão parlamentar de inquérito é a arma de que dispõe a cidadania para dar enfrentamento `a sanha de grupos criminosos de pretender colocar a seu serviço os poderes da República e os mandatos conferidos pelo voto popular.  E com frequência não apenas estes, mas também a imprensa  e instâncias inferiores de governo.

Este parece ser o caso das revelações que cercam as ações do grupo de Carlinhos Cachoeira, trazidas a público em recente operação da polícia federal. Há fortes indícios a sugerir que estejam envolvidos na tentativa de usurpação  dos direitos de cidadania um senador, um ministro do Supremo Tribunal Federal, deputados da câmara baixa e um governador.

Quantos mais serão os envolvidos? Qual a extensão exata da ação criminosa no interior do aparelho de Estado? Se o fato que escandaliza o País não for motivo de CPI que então dissolva-se o parlamento e renunciem os governantes federais por comprovada associação também eles com o crime organizado.



terça-feira, 3 de abril de 2012

Lobos em pele de cordeiro

Fica sensivelmente mais baixo o tom de voz de todos aqueles que nas televisões, revistas e nos novos meios eletrônicos de comunicação apelavam com discurso moralista contra a desfaçatez e a corrupção, que se dizia imperar nas instituições de governo.

O maior símbolo desses moralizadores, o senador por Goiás Demóstenes Torres, revelou-se personagem a serviço do crime organizado como nos mais incríveis filmes de ficção policial.

O prejuízo é enorme para as oposições, que apostaram todas as fichas no campo de batalha parlamentar apelando a um tipo de elemento diferenciador de lógica negativante, que buscava na retirada da credibilidade do oponente a justificativa para a aspiração ao poder político e para a dispensa de embate de propostas a fim de conquistá-lo.

É esse tipo de política de acusação posta em prática pelos principais partidos de oposição desde que Lula da Silva elegeu-se presidente da República – e alçado ao paroxismo com o chamado escândalo do mensalão – que chega a um ponto de inflexão com o desmascaramento do falso tribuno que o oposicionismo instalou no senado.

Evidente que o recurso à desmoralização, como substituto imediato da contraposição de propostas e idéias necessárias ao fortalecimento da democracia no País, não vingaria caso a mídia de maior penetração não lhe desse sustentação, e, como se sabe agora, também a origem. O envolvimento do semanário Veja com os mesmos criminosos que colaboraram com a usurpação do mandato popular pelo senador Demóstenes, é revelador o bastante disso.

A queda do discurso moralizador como forma privilegiada de disputa política faz vítimas no quadro partidário nacional. Mata de vez o partido que fez da tribuna de acusação seu maior triunfo, o DEM, e fere gravemente seu principal parceiro de práticas oportunistas, o partido da socialdemocracia brasileira.

Fica difícil agora para o PSDB fugir à associação da imagem de tucanos a demistas, construída em mais de 20 anos de parcerias políticas. E à dificuldade de dissociação entre os protagonistas da pseudocampanha pelo saneamento da política corresponde também a potencial interdição do discurso de que se utilizaram ao longo de todas as campanhas eleitorais, e que pretendiam ver renovado agora. 

Acusações que antes eram objeto de contemporização na mídia contra outras figuras de grande expressão do mesmo campo político, como José Serra às voltas com uma CPI por evasão de divisas para paraísos fiscais e Agripino Maia acusado de envolvimento com fraudes em licitações no Rio Grande do Norte, não poderão mais ser omitidas nem tomadas por infundadas quando ressurgirem nas próximas  campanhas eleitorais.

Por ocasião das eleições municipais, é hora dos partidos que foram vítimas do ardil da desqualificação moral, encenadas até agora pelos chefes da oposição, tomarem desta vez o palco e bradarem alto e bom som ao distinto público : é gente apta exclusivamente a uivar, lobos em pele de cordeiro. E, é claro, mostrar o por que.